Crédito desta foto: eu mesma inspiradíssima...

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27 de set. de 2012

Dançando com a escavadeira

Sim, é isso mesmo! Aquela máquina utilizada em construção civil pode ser uma boa parceira de dança. Pelo menos é o que promete o espetáculo de abertura do Festival internacional de Artes Cênicas (Fiac), que completa 5 anos em 2012, está maior, mais diversificado e faz a minha alegria. Fico ansiosa para que chegue esse momento do ano! Affff... Confira texto de divulgação que está no site do Fiac. Ah, fiquem ligados no perfil do Fiac Bahia no Facebook, porque tem informações curiosas e promoções.


"Transports Exceptionnels consiste em um inusitado duo entre um dançarino e uma escavadeira que tem surpreendido e encantado espectadores em diversos lugares públicos ao redor do mundo. Segundo o coreógrafo, o duo é uma possibilidade de reviver aqueles momentos da infância em que proporções tomam outra dimensão e nos quais a rua se torna um playground extravagante. Graças ao seu tamanho gigantesco, a máquina cria tensão com o corpo do dançarino. É um encontro inesperado, um dueto entre o homem e a máquina.

Na sequência, começa a primeira noite de funcionamento do Ponto de Encontro, ambiente de celebração que já é tradição do Fiac. Os quatro DJs do coletivo Sistema Kalakuta comandam as carrapetas ao som dos ritmos africanos. O Ponto de Encontro prossegue ainda nos dias 29 e 30/09 e de 04 a 07/10.


Abertura do FIAC
Quando: 28 de setembro, 21h.
Onde: Pátio Unhão (espetáculo) e Galeria subsolo do MAM (festa) – Av. Contorno s/n.
Quanto: O espetáculo é gratuito e os ingressos para a festa custam R$6 (inteira) e R$3 (meia)."

Sobre ingressos:

"Vendas na Bilheteria Central do Fiac, montada no Teatro Castro Alves, todos os dias até 6/10, das 12h às 18h), até o dia anterior da apresentação do espetáculo. Nos dias das apresentações, a venda dos ingressos será feita no próprio local de apresentação do espetáculo, sempre até duas horas antes do espetáculo.



Para os espetáculos em cartaz na Sala do Coro do TCA, os ingressos são vendidos na própria bilheteria do Teatro Castro Alves. Cada pessoa só pode comprar até quatro ingressos por espetáculo. Os espetáculos em cartaz na Sala do Coro são Édipo (dias 29/09 e 30/09), Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você (02/10 e 03/10) e Viúva, porém Honesta (05/10 e 06/10).

O valor do ingresso é de R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia) para cada espetáculo. Vejam quais são GRATUITOS:


  • Os espetáculos nas praças e ruas (Transports Exceptionnels, Apparitions/ Disparitions, Árvores, Butô de Bêbado Não Tem Dono e Bolero de 4).
  • O Jardim, no Instituto Federal da Bahia – IFBA (antigo Colégio Marista no Canela) – senhas distribuídas uma hora antes do início da sessão.
  • Siré Obá – A Festa do Rei, no Centro Cultural Alagados – senhas distribuídas uma hora antes do início da sessão.
  • Fotografia e Pangea, apresentados numa mesma sessão no Centro Cultural Plataforma - senhas distribuídas uma hora antes do início da sessão.
  • O Circo de Soleinildo, no Solar Boa Vista (gratuito apenas nos dias 04/10 e 07/10) - senhas distribuídas uma hora antes do início da sessão.A abertura do festival conta com duo de dançarino e uma escavadeira e festa com coletivo de DJs, no dia 28/09, a partir das 21h, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA). O espetáculo Transports Exceptionnels, do coreógrafo francês Dominique Boivin, tem entrada franca e acontece no Pátio Unhão. Já a festa, a primeira do Ponto de Encontro, tem ingressos a R$6 (meia) e R$3 (meia) e acontece na Galeria Subsolo do MAM."
Texto e fotos adaptados de http://fiacbahia.com.br/2012/

29 de abr. de 2012

Cinematografando a dança com Pina


Esta crítica foi enviada para mim por Nelson Doy on time, ou seja, enquanto o filme ainda estava em cartaz. Mas, por vários motivos, acebei não publicando. Desculpa aí, Nelsão, e desculpa aí amigos do Lado B.

"Pina, de Win Wenders (2011). Nunca entendi muito a dança contemporânea, mas Pina Bausch em pessoa me explica que a dança começa exatamente aí mesmo, onde terminam as palavras, ou a possibilidade das palavras. Palavras evocam coisas, mas quando se entra no campo onde as palavras não alcançam, não existem mais coisas nítidas e bem definidas: existe apenas uma vaga noção de sentimentos, emoções e pensamentos.


A partir daí você deixa de questionar os movimentos corporais e passa a apreciar apenas o efeito visual desses movimentos, deixa de pensar ou raciocinar e aí começa a fruição da dança contemporânea. E numa próxima etapa, começa a perceber sensações exprimidas pelos movimentos. O trabalho de Pina demonstrado no filme impressiona pelos dois lados: a vivacidade rítmica, rica, criativa, intensa, mas meramente visual, e as recorrentes sensações de angústia e vazio.

Essas sensações estariam relacionadas com o objeto central da alma humana, segundo Pina, que é a eterna busca, o desejo. Objetivos que movem o ser humano nada mais são que uma camuflagem para justificar e direcionar um insaciável estado de desejo, profundo e permanente, que provém do vazio e resulta em eterna angústia.


O filme deveria ser um documentário sobre o trabalho da aclamada e revolucionária coreógrafa Phillipine Bausch, a Pina, mas com sua morte repentina em 2009, aos precoces 68 anos, se tornou um tributo.


Dirigida por outro aclamado alemão, Wim Wenders, o filme intercala o registro de algumas importantes coreografias, com depoimentos e comentários dos integrantes da sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A cada depoimento, segue se uma coreografia criada pelo depoente especialmente para o filme, executada em espaços públicos de Wuppertal, cidade sede da companhia. As coreografias expressam a individualidade dos integrantes de maneira mágica, com um encanto fascinante que não cansa e surpreende a cada novo. Assim descobrimos um dos segredos de seu sucesso: cada integrante da companhia tem um potencial criativo e técnico magnífico, o que estimulava Pina a criar e produzir em conjunto com eles.



Os depoimentos são falados na língua natal de cada um. Há de todas as nacionalidades, com destaque para espanhóis, italianos, alemães, sim, mas ainda japoneses, chineses e uma brasileira, entre outros. Descobrimos para surpresa que muitos chegaram tímidos. Pessoas retraídas, incapazes de falar, mas que na dança cresceram e se expandiram de forma intensa e gigantesca. Compreende-se ainda mais da forma de trabalho de Pina, na maioria das vezes absolutamente lacônica, mas sempre estimulante. Lua, pediu ela a um candidato, e lua ele dançou. Não era a figuração da lua obviamente, mas o sentimento de lua que deveria dançar.


O efeito tridimensional poderia ser dispensado na maioria das cenas, mas é inquestionável que em muitas delas traz mais vida. E vida, a intensidade da vida, é justamente a essência do filme. Filmado a dez metros de distância, vemos a expressão da dança no corpo de bailarinos. Filmado a dois metros de distância, vemos a expressão da dança fluindo pelo corpo de cada bailarino. E filmado a vinte centímetros de distância, vemos a expressão da dança fluindo pela boca, olhos, testa e dentes do bailarino. 





 Compreende-se finalmente que a dança ocorre na alma daquela pessoa. Não é possível a dança sem antes a encarnação do sentimento. Pina relata sobre Café Müller, onde a coreografia é toda executada de olhos fechados. Mesmo de olhos fechados, somente dirigir o olhar cego para baixo ou para cima, por exemplo, no momento adequado, atingia a sensação interna correta para o correto bailar externo.


Com a ausência de Pina no Tanztheater, o filme serve muito como uma peça de divulgação. Uma companhia de altíssima qualidade e com até 20 anos de casa, está órfã, em busca de um novo diretor. Não chega a ser especialmente citado Agua, seu último grande trabalho, totalmente inspirado na sua passagem pelo Brasil, mas Caetano Veloso, seu interlocutor no país está lá na forma de Leãozinho, coreografado por um dos principais bailarinos do corpo.

São duas horas de filme que passam com uma leveza supreendente. A pungência bauschiana é pesada, densa, expressionistamente alemã. Mas o entremeio com esquetes dos bailarinos, tão lúdicas, são brincadeiras de criança executadas com um virtuosismo de precisão alemã, sobre uma variedade de músicas, da MPB até temas eletrônicos. Logo na primeira cena você diz: ih, é dança contemporânea. Mas ao final, sai sabendo apreciar um pouco mais o gênero. Uma verdadeira aula. Com Pina Bausch."


Texto: Nelson Doy, eleito por mim como crítico de cinema oficial deste blog, um paulista-carioca-já-abaianado retado!

Imagens: www.imdb.com


 

19 de out. de 2011

Maratona pelos palcos já

Fiquei fã do Festival Internacional de Artes Cênicas (Fiac) desde a primeira edição. Um cuidado preciosista com cada detalhe da programação, da divulgação, do como lidar com o público. Fico apaixonada pelõs motes das campanhas de divulgação que eles desenvolvem todo ano, especialmente, os spots de rádio. E, felizmente, o evento teve apoio poderoso desde o início: Petrobras. A Bahia merece muito tem um evento dessa porte nesse segmento, já que é uma das pioneiras nas artes cênicas do Brasil.

Sem mais delongas, é melhor você conferir a programação que postei abaixo, que acontece de 22 a 30 de outrubro, em vários palcos da cidade e, como eu e meus amigos Lilia e Alberto, realizar uma verdadeira maratona pelos palcos.

Dica 1: você consegue assistir dois ou três espetáculos (talvez até mais), por dia, pois a grade é montada com intervalos entre eles que permitem que você se desloque (rapidinho, viu?) de um para o outro. Só tem que comprar os ingressos com antecedência. Dica 2: não há só espetáculos para assisti. Rola oficinas e outras atividades mais participativas. Dica 3: essa programação abaixo, você pode adquirir em PDF no próprio site do Fiac (que é um luxo!), dobrar e colocar no bolso. Eu garanto: você vai precisar colocar no bolso!


12 de abr. de 2010

Dançar é uma delícia... e ver dançar também



Com um pouco de atraso, o Lado B faz uma blogagem obrigatória: Viva Dança Festival Internacional. Tudo acontece no velho (e amado) Vila, no Espaço Unibanco de Cinema, Passeio Público e Ciranda Café até o dia 30 de abril.



Especialmente nessa semana, grandes atrações devem me tirar do roteiro dos agitos pra o roteiro cult. A maioria das atividades é gratuita, outras têm custo bem reduzido.

A mostra Casa Aberta está reunindo 53 apresentações com até 15 minutos de dança contemporânea, regional, do ventre, flamenco, jazz, balé clássico, entre outros, somente nos dias 6, 13 e 20 de abril, às 20 horas.



Estão na pauta dois espetáculos espanhóis e dois japoneses, nos dias 17, 18, 24 e 25 de abril, sempre às 20 horas. Há oficinas pagas de jazz e do ventre.



Com entrada franca, a Cinemateca Vivadança acontece nos dias 14, 15, 21 e 22 de abril, sempre às 19 horas; assim como a instalação TRANSbarroc (coletivo Teaimuv), de 16 a 30 de abril; e a exposição do fotógrafo Gabriel Guerra, Simbose, durante todo o mês no foyer.



E Vila do Choro continua rolando nas segundas às 18 horas. A bilheteria funciona de segunda a sexta, a partir das 14 horas; sábado, domingo e feriados, duas horas antes do evento. Info: www.festivalvivadanca.com.br ou 3083-4600.





Fotos: créditos diversos (ver no site do Festival)