Crédito desta foto: eu mesma inspiradíssima...

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7 de ago. de 2009

Parece "copo sujo" mas é bem limpinho





Juntar a turma do trabalho durante a semana numa quinta ou sexta-feira ou ir calmamente num sábado com amigos ou familiares para comer bem e barato. Essa é a grande sacada do bar do Jonas. As porções generosas dos pratos servem duas pessoas e custam em torno de 30 reais. Os temperos simples e básicos dão o tom da cozinha. Mas é justamente isso que me encanta: o domínio da arte culinária com ingredientes praticamente in natura.

Difícil dizer o que sai de melhor do seu cardápio. Eu simplesmente amo o caçonete, em muqueca ou ensopado, que vem com muuuuuito tempero em rodelas - tomate, cebola, pimentão em um suculento caldo... hummmm... nossa, dá água na boca. Ele vem acompanhado de arroz, farofa e um pirão de-li-cio-so feito com o caldo do cozimento, finamente temperado com salsinha.

Meus amigos que apreciam carne recomendam o malassado ou o calhos - uma espécie de feijoada espanhola que substitui o feijão por grão de bico. Mas, nessa linha, tem sarapatel e outras, intituladas, comidas "brabas" da culinária popular baiana. Tudo é feito no capricho! É o que garante todos os bons frequentadores do Lado B que apreciam a sofisticação culinária do lugar - qualidade que caminha ao lado, muitas vezes, da simplicidade.



Mesas de plástico e umas lonas para rebater o efeito do sol dão o ar encantador de buteco "copo sujo" - mas lá tudo é bem limpinho, inclusive o toalete. Isso garante uma clientela selecionada: gente muito bonita circula por lá com seus paletós, gravatas e saltos. Sim, é um lugar legal pra paquerar. Respondi sua pergunta? Esse é um dos raros locais da cidade que pessoas com muitos hormônios não invadiram, sendo a faixa etária acima de 35 anos.

Se você estiver com uma turma grande, nada melhor que a área do fundo, que nos brinda com a luz natural do dia e uma árvore que foi preservada pela construção. Ao todo, não cabem mais que 100 pessoas em todo o bar, o que dá um ar ainda mais aconchecante. Localizado na rua Gerson Pinto, 7 (uma via interna do Costa Azul), funciona de segunda a sexta das 11 às 23 horas e sábado das 11 às 17 horas, sendo também recomendado para o happy hour. Ah, aceita cartões de crédito.

1 de jul. de 2009

Meu novo Café Cancún



James Brown, Raul Seixas, Amy Winehouse, Seu Jorge, Michael Jackson, Carlinhos Brown, Madonna, Caetano Veloso... Fez algum sentido pra você? Não? Mas pra mim faz todo sentido. E é justamente pelo "lugar não comum" que essa mistura traz que a Borracharia faz parte do Lado B de Salvador.

Sexta-feira é simplesmente o melhor dia, porque o DJ Rui Santana (salvo engano do nome) capricha na mistura e consegue fazer uma salada que conduz a sabores musicais talvez nunca antes experimentados. Quiçá somente no Café Cancún, sob a obra e graça de DJ Hugo (por onde anda esse homem, meu Deus?)




Amo poder curtir (e dançar muuuuuuiiito) as músicas em seus arranjos originais sem aquelas batidas infames que 99,99% dos DJs colocam sobre seu set list e que tornam as músicas todas iguais. De cara limpa (e eu só ando de cara limpa), suporta-se, no máximo, 40 minutos, pois o cérebro entra em loop. Achei que nunca mais ia poder dançar assim na noite de Salvador (tal como se dança na Casa da Matriz e Casa Rosa, no Rio de Janeiro).

Um galpãozinho totalmente rústico, onde, durante o dia, funciona uma borracharia (com carros, pneus, macacos, chaves de boca...) e à noite, uma criativa e, às vezes, desconfortável (mas cheia de alma!) boate com uma super penumbra, um clima propício à paquera e muita gente cabeça - publicitários, jornalistas, músicos e outros bichos da massa pensante soteropolitana.

A decoração é atração à parte com restos de demolição, velas, pichações ideológicas, posters pra lá de originais, além de uma manifestação ostensiva de uma religiosidade... INDEFINIDA (rsrs..). E não é que isso é a cara da Bahia?

Na última sexta-feira, depois de sair do meu outro point Lado B, Sertão Bom, aterrissei na Borracha (carinhoso apelido dado por nosotros todos amantes do local) e a apresentei para duas queridas amigas-irmãs que ainda não a conheciam. Ficaram encantadas. Mas como todo mundo que chega num lugar pela primeira vez recorre a um guia, perguntaram: e aí, qual o esquema aqui? Apenas respondi: fiquem onde quiserem, façam o que quiserem. Borracharia é isso, Borracharia é liberdade!



Créditos das fotos: www.sxc.hu