O premiado escritor Goulart Gomes dá a dica da Bienal do Livro, que começou no último fim de semana e vai até o dia 6 de novembro no Centro de Convenções da Bahia, Jardim Armação, das 10h às 22h.
Ele estará presente com alguns autores, sempre às 19 horas, nos dias:
Dia 03/11 - Praça da Poesia
Dia 05/11 - Lançamento da coletânea 501 POETRIX PARA LER ANTES DO AMANHECER (convite em anexo)
Ah, o valor do ingresso foi reduzido por solicitação dos próprios expositores, a fim de popularizar o acesso das pessoas: R$ 4 (inteira). Crianças menores de 12 anos acompanhadas de um adulto pagante, têm acesso gratuito. Bibliotecários, professores e profissionais do livro continuam tendo gratuidade garantida.
Nosso povo precisa de livros. Livros à mancheia para todos nós! Confira mais detalhes sobre o evento em www.bienaldolivrodabahia.com.br
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2 de nov. de 2011
26 de dez. de 2010
Todos temos um lado solidário

Uma adorável colega dos velhos tempos de faculdade, Laura Dantas, postou na última quarta-feira em um grupo do qual participo a mensagem abaixo como sugestão de pauta para as pessoas da lista que estivessem em veículo de comunicação. Decidi postar aqui porque vejo como oportunidade de reflexão e, quem sabe, de ajuda, aos que podem prestar essa ajuda. Lado B tem esse... lado. Feliz Ano Novo a todos com mais equidade, amor e paz!
"O assunto não é novidade, mas sempre cai no esquecimento. Estive hoje no Abrigo Dom Pedro II, na Cidade Baixa. Fui lá levar algumas roupas para doar. O cenário é realmente desalentador.
O abrigo é uma instituição pública municipal com capacidade para abrigar 250 idosos, isso se os pavilhões (literalmente em ruínas) estivessem funcionando. As informações na internet estão totalmente desatualizadas.
Em conversa com os funcionários hoje, fiquei sabendo que ali estão apenas 70 abrigados. Enquanto eu estava lá, ouvi uma funcionária reclamar da instalação que a prefeitura mandou fazer de umas horrorosas gambiarras, sendo que a solicitação foi para que se colocasse uma iluminação festiva para alegrar os velhinhos.
Na sala onde deixei a doação (e onde supostamente fica tudo o que eles recebem) havia somente algumas cestas básicas e caixas de panetone de Irmã Dulce.
A imprensa precisa se manifestar, isso é um absurdo, uma vergonha. Um lugar como aquele (que seria lindo, se fosse bem cuidado) em petição de miséria há anos e sem poder acolher aos que necessitam. Fica aí o comentário para reflexão (e ação) de todos nós. Feliz Natal, companheiros!"
Imagem: Fernando Vivas, um dos mais talentosos fotógrafos que já conheci (um dos meus preferidos aqui na Bahia, sem desmerecer os demais, ok?), pessoa queridíssima que tenho saudade dos tempos que eu tinha contato com a imprensa. Extraída do blog Olho da Rua.
21 de ago. de 2010
Exposição fotográfica no Salvador Shopping

Texto enviado pelo amigo jornalista e fotógrafo Gustavo Rozario.
"O Salvador Foto Clube realiza a exposição Em Cada Olhar, Uma Revelação, em comemoração ao mês da fotografia e ao aniversário de 6 anos do clube. A curadoria é de Ailton Sampaio. Participa da exposição 29 sócios, cada um mostrando a sensibilidade do olhar nos mais variados temas. A mostra fica até o dia 5 de setembro no Salvador Shopping, no Espaço Gourmet, L1."
O Salvador Foto Clube é filiado à Confederação de Brasileira de Fotografia, conforme texto de Lyz Cerqueira no site da Confoto:
"Salvador Foto Clube é um clube de amantes da fotografia que nasceu em abril de 2004, após o curso Universo das Cores com o renomado Walter Firmo, realizado na casa da Photographia.
Tudo aconteceu muito rápido: a identificação pessoal, o interesse em comum, a dedicação persistente... E de repente ... uma explosão de idéias, junção de mentes, a mão na mão para JUNTOS construirmos esse SONHO REAL.
Somos um grupo eclético nas profissões, nas idades ... contudo, ÚNICOS, quando procuramos colocar em cada fotografia a expressão mais pura da alma, revelada através da singeleza de nosso olhar."
Imagem: banner da exposição (Salvador Foto Clube)
21 de mar. de 2010
Comidas naturebas
As pessoas que convivem comigo já sabem o que penso: comer bem é mais que um prazer, é uma filosofia de vida. Alimentos e temperos devem ter o mínimo de processamento industrial (confesso que acho maioria dos temperos prontos com gosto de papelão! rsrs...). Mas se vocês acham que não valorizo o sabor porque gosto de comida natural, então está na hora de rever seus conceitos (um plágio de vez em quando não faz mal... rsrs...).
Minhas recomendações vão em ordem de preferência:
1 - Saúde na Panela - As nuances de sabor em cada prato são enormes, mesmo o restaurante sendo radical (as deliciosas sobremesas são feitas com iogurte ao invés de creme de leite. As receitas não levam ovos na receita, têm pouco sal e quase nenhuma gordura - a maioria deles, nenhuma). Mas vou confessar meu fraco: a ceia deles é fantástica. De vez em quando vou tomar uma sopinha (e aproveito para levar aqueles irresistíveis pães ou bolos pra casa) Fica no Itaigara, próximo ao fim de linha da Pituba (3353-8088/3353-6788). E os preços são muito bons.
2 - Vida - A soparia (e restaurante natural) localizada em Ondina faz a gente percorrer quatro a cinco bairros para ter uma ceia dos deuses. É sopa que não acaba mais (de vez em quando faço umas misturas bem loucas, mas muito saborosas). Funciona como restaurante durante do dia, mas eu nunca fui nesse horário. Tem uma filial no Shopping Estrada do Coco.

3 - Manjericão - O que mais me encanta no Manjericão é poder comer cercada de verde. Os pratos desse restaurante, muitas vezes, são bem comuns, mas não quer dizer que menos saborosos. Mas algumas vezes me surpreendendo com misturas criativas. Localizado no Rio Vermelho, agora abre também aos domingos (3335-5641).
4 - Grão de Arroz - Uma viagem é almoçar debaixo de uma das árvores da filial dos Barris e depois assistir a um filme na sala Walter da Silveira. É claro que, pra mim, só dá pra fazer isso aos sábados. Mas eu ganho a semana inteira com essas poucas horas de prazer gastro-cult! É uma frustração para mim, no entanto, que a filial da Pituba (pertíssimo da minha humilde residência) somente sirva alguns lanches, pizza e sopas com misturas pra lá de criativas e totalmente pensadas para que seu organismo só diga obrigado (alô quem tem problemas intestinais: vale levar algumas pra viagem e tomar em casa). A variedade de pães é um dos fortes dessa filial e o mercadinho tem bastante variedade de produtos naturais, inclusive feirinha orgânica. (3248-9535 - Pituba e 3328-2157 - Barris)
5 - Brisa - Os pratos desse restaurante quase não sofrem processamento. São bem próximos ao sabor natural dos alimentos quando os tiramos da terra. Os pães e lanches integrais são maravilhosos. O lugar é bem tranquilo (minha mãe adorou comer lá!) e dá até pra ouvir passarinhos cantando aos domingos. Fica nas imediações na av. Paulo VI, na Pituba.
6 - Mundo Verde - A loja que fica no Max Center (Itaigara) tem um pequeno restaurante no andar superior. É uma paz poder almoçar sem barulho em uma localidade tão agitada. Na verdade, não é bem almoço. Há sopas, beirutes com tabule e lanches integrais bem nutritivos. A salada de fruta é servida com iogurte e mel: simplesmente divina!

7 - Espaço Natural - Para mim, essa é a opção para o dia-a-dia. Meio caro, o restaurante não varia muito o cardápio, mas, invariavelmente, os pratos são bem leves. As sobremesas são deliciosas (prefiro as light em detrimento das diet). Os pães (os de banana e germen de trigo são absolutamente fantásticos) e os congelados são um ponto alto da loja. Dentro do shopping Itaigara (3358-7877).
8 - Raízes - Recomendo a requintadíssimo filial do Salvador Shopping (aliás, está no antigo local onde havia uma filial do Brisa). Os molhos são incríveis e as saladas... hummm... são de dar água na boca. Tudo feito com ingredientes, diz o paladar, da mais alta qualidade. O único problema é ter que sentar naquela barulhenta praça de alimentação. Sobre a qualidade dos pratos, não posso dizer o mesmo do Raízes do Iguatemi.

fotos: www.sxc.hu
4 de jan. de 2010
Aconchego da Zuzu, o Lado B com estilo Classe A*

O bairro do Garcia tem o seu dia de Lado A uma vez por ano, na segunda-feira de carnaval, quando a folia trieletrizada dá lugar às bandas de sopros e à irreverência dos foliões da Mudança do Garcia. Mas naquele território emblemático, mais famoso pelas escolas tradicionais que pelos bares, tem um bar tipicamente Lado B que resiste ao tempo e ao modismo de outros bares da cidade. Falo do Aconchego da Zuzu.
O bar e restaurante Aconchego da Zuzu está instalado numa típica residência familiar, com uma arquitetura que remete às casas populares das primeiras décadas do século XX. Quem passa pela rua não imagina o que pode encontrar à medida que se adentra o antigo casarão.
A partir de uma área descoberta, chega-se ao típico quintal urbano, coberto pela sombra de mangueiras frondosas. Esse quintal é palco para prazeres diversos que vão da boa mesa à boa música. Comece pela entrada de abará e depois, com muita calma, prove os petiscos de agulhinha frita ou pititinga, caldos diversos até chegar ao prato principal, a moqueca de peixe ou carne do sol com aipim frito.
Todo esse repertório gastronômico ganha um sabor especial com o tempero musical que é referência da casa. Do chorinho à bossa nova, passando pelos sambas antigos e contemporâneos, o palco tem lugar para vários estilos musicais. Prefira todos.
O nome do bar é uma homenagem à matriarca da família de proprietários, a centenária Dona Zuzu. Vê-la circulando animada pelo local, nos faz entender o real significado da palavra longevidade. O serviço do Aconchego da Zuzu é feito por uma extensa rede de filhos, sobrinhos e netos da matriarca, que implantaram um jeito especial de atender os clientes. Com estilo, o estabelecimento superou a categoria de um simples barzinho e já pode ser considerado uma espécie de local Classe A no universo Lado B dessa cidade de São Salvador da Bahia.
Oficialmente o Aconchego da Zuzu está localizado na Rua Quintino Bocaiúva, n° 18, Fazenda Garcia. Mas na informalidade da geografia Lado B da cidade, fica no topo da ladeira do Posto São Jorge, no final-de-linha do Garcia. Funciona de terça-feira a domingo para almoço a partir do meio dia; e à noite, com boa música ao vivo, de quinta-feira a domingo, das 20h30 às 24h. Tel: (71) 3331-5074.
* Texto do jornalista Alberto Freire, uma das minhas grandes referências para indicações Lado B. Como eu, Alberto quer levar a mãe dele para assistir um bom chorinho em um domingo no Aconchego da Zuzu.
Foto: www.sxc.hu
1 de nov. de 2009
Lado B em pílulas
Como já mencionei algumas vezes nesse blog, a programação Lado B da cidade está cada vez mais intensa e numerosa por conta do clima de verão. Como não tenho esse pique todo de comparecer a tudo para dar detalhes sobre cada programa, decidi, sempre que necessário, escrever o Pílulas B: trata-se de pequenos textos (outros nem tanto...) sobre cada programa num só post, lembrando os velhos tempos de jornal de grande circulação - tenho saudade, sim, mas adoro minha liberdade atual.

Mostra 50 Anos de Cinema da África Francófona - Serão exibidos 50 filmes, entre os quais obras-primas do cinema negro-africano inéditas no Brasil. Durante a mostra serão oferecidas duas lições de cinema, com Med Hondo, um dos pioneiros do cinema africano, e Samba Félix Ndiaye, o maior documentarista do continente, e uma mesa redonda, com as participações de Catherine Ruelle, Mahomed Bamba, Samba Félix Ndiaye e Med Hondo. Até 04/11, na sala Walter da Silveira, no cine-teatro Molière da Aliança Francesa e na sala de cinema do MAM. Entrada gratuita. (fonte: www.plugcultura.wordpress.com)
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Orquestras no Pelô - O local não é minha praia, mas a programação é de alto nível. Para quem já frequenta o Pelô, vale a pena prestigiar o esforço dos poderes públicos de revitalizar a região - mas tenho que fazer a minha ressalva e protesto: revitalização não passa apenas por agir para inglês ver (segurança em locais específicos e restritos e uma bela programação cultural gratuita ou muito barata). Não se pode tratar somente da fachada e achar que está tudo resolvido como senhor ACM fez e enganou direitinho meio mundo.
Revitalizar uma localidade passa por acolher as populações locais, tirando-as da margem, dando-lhes educação, formação profissional e, acima de tudo, perspectiva de vida. O que se vê no Pelourinho é uma ilha de tradição da baianidade cercada de violência, miséria e abandono por todos os lados. Não dá pra ir lá sem carro. E, mesmo assim, a segurança nos estacionamentos é sofrível. Parece que tudo é adequado ao modus operandi do turista que, geralmente, está de táxi.
O que fazer? Colocar mais policiamento? É óbvio que não resolve, pois os policiais apenas servem de muros entre a população feliz-visitante e a população miserável-local. O atual governo - pelo qual não tenho muita simpatia, mas temos que ser justos - está fazendo um esforço legítimo. Espero que o esforço se transforme em atos reais (saiba mais sobre o Plano de Reabilitação www.pelourinho.ba.gov.br/plano-de-reabilitacao).

Blogando o site do Pelourinho: "Para quem acha orquestra uma coisa ultrapassada ou erudita demais, o Programa Pelourinho Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, preparou uma agenda que vai desbancar qualquer preconceito. Com releituras contemporâneas das formatações originais, orquestras modernas foram escolhidas a dedo para agitar a programação do Pelô em novembro." Fonte do texto e da foto (Sora Maia): www.pelourinho.ba.gov.br/2009/10/27/orquestras-no-pelo.html
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Le Dantec e cinemas Unibanco - Não é barato, mas é genial. Um dos mais prestigiados chefs de cozinha de Salvador, o francês Marc Le Dantec - escolhido por quatro vezes como o melhor Chef pela publicação Veja Salvador - abriu o seu novo restaurante Poesia Marc Le Dantec - French Brazilian Cuisine no terraço do Espaço de Cinema Unibanco, na Praça Castro Alves. Conclusão: será possível assistir às interessantíssimas mostras cinematográficas e comer algo de alta qualidade e requinte de frente para a Baía de Todos os Santos com um por do sol incrível. A praça Castro Alves é dos cinéfilos! De terça a sexta, das 12h às 23h40, sábado, das 16h a 23h40, domingo e segunda, das 13h a 21h. Fone: 3331-3854.
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Rodas de Música com Soraya Aboim - A cantora recebe para happy hour, às sextas-feiras, convidados como: Mário Ulhoa, Will Carvalho, Júlio Caldas, A Volante do Sargento Bezerra, Noeme Bastos, entre outros. No Espaço - 1º andar (R. Ilhéus, 258, Rio Vermelho), 13 e 20 de novembro, 4, 11 e 18 de dezembro, às 19 horas. Couvert: R$ 10. Info: 9929-1771/ 3334-4459.
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Lado B para pimpolhos - a pedido de minha amiga Marilda Ferri que tem uma pequena e linda filha, mas sente saudade de um bom programa fora do aconchegante lar, vai a dica da publicitária e queridíssima Renata Habib - mãe de um casal de pimpolhos: http://pequenopolis.wordpress.com/ . Esse site já está como link preferido do Lado B.
26 de out. de 2009
Camarão bem escondidinho*
Em uma missão exploratória pelas bandas da Avenida São Rafael (meu novo perímetro desde março deste ano), achei um lugar fantástico para quem, como eu, é fanático por camarão. O lugar é meio escondido, fica dentro do condomínio Morada do Campo, logo depois da Chesf, se você vem do viaduto Dona Canô. Chama-se Ki Camarão, nome bem óbvio quando você começa a ler o cardápio.

Trata-se de um box bem incrementado, com muitas mesas em um espaço coberto. Já tinha ouvido falar do lugar e o fato dele estar na lista do último Festival Comida Di Buteco aguçou a minha curiosidade. Já simpatizei com lugar por conta de algo simples e funcional: num pedaço de papel escrito à mão, colado em baixo do plástico que cobria a mesa, o nome do garçom responsável por nos atender. Quer coisa mais antipática do que você ficar chamando o garçom, sem saber o nome do cara?

O cardápio tem de tudo: petiscos, refeições mais compostas, bebidas variadas. Fui com o meu “namorido” e fizemos o primeiro teste de qualidade: pedimos uma cerveja e estava no ponto. Como não estávamos com tanta fome, priorizamos os petiscos. O de maior saída, pela rapidez e pelo preço, é o camarão frito ao alho e óleo (21 camarões pistolinhas por R$ 9,90). Mas percebi pelo movimento do bar que a muqueca de camarão tem bastante saída.

Claro, pedimos a vedete do bar, o Escondidinho de Camarão, prato concorrente no Festival Comida Di Buteco. Apesar de não ter ganhado o festival, o prato merece respeito. É uma iguaria simples, nada inovadora e não possui acompanhamentos: só os camarões cobertos com o pirão de aipim. Para quem gosta de incrementar, vale pedir uma porção extra de salada vinagrete para acompanhar. Gostei muito. O preço também vale à pena: R$ 19,90. Trata-se de um petisco, perfeito para beliscar com uma cervejinha/roska/refrigerante/suco, ou o que der na telha, bem gelado.
* Texto e experiência da antenadíssima jornalista Amanda Veloso.
Fotos: www.sxc.hu
27 de ago. de 2009
Iemanjá mora na praia do Buracão

Vou caminhando de minha casa até lá calmamente, aproveitando o brilho do sol, o azul do céu, a suavidade (ou aspereza!) do vento e a linda paisagem marítima. Essa se descortina com um encantamento incomum após percorrer um pequeno trecho da rua do Barro Vermelho, no Rio Vermelho. Do alto da escada com cerca de 50 degraus e que nos leva a essa cavidade natural, já é possível ver e perder o fôlego com a vista quase selvagem da praia do Buracão.
Com o nome oficial de praia Anita Costa, a pouco conhecida praia do Buracão tem esse apelido, dizem, justamente por causa dessa característica geológica única. De um lado o quartel do Exército, do outro os hotéis Mercury e Ibis isolam esse trecho de praia que considero um verdadeiro paraíso.

Um cantinho dos deuses em plena Salvador. A tranquilidade e limpeza do local, apesar de encravada no olho do furacão da soterópolis, o Rio Vermelho é resultado da característica de seus frequentadores: moradores ou hóspedes da região. Gente que não busca badalação e está em ooooooouuuutro ritmo. Aaahhhh!
Temos que oferecer uma salva de palmas para os frequentadores dessa localidade, raro exemplo em Salvador e Região Metropolitana de educação, consciência e espírito de coletividade. Ninguém joga lixo do chão, nem mesmo deixa as cascas de coco na areia. Por isso a areia branca do Buracão continua a contrastar com o lindo azul do mar.

A única barraca de praia que existia foi fechada, pois dizem, o espaço foi comprado pelos donos da Barraca do Lôro e atualmente está em construção (e ninguém sabe quando termina pois a cara de obra há muito tempo está ali). Ok, mais uma opção de serviço, já que apenas vendedores ambulantes atendem a praia. Mas será que essa beleza sera preservada com a chegada do "progresso"? Parece-lhe um questionamento clichê? Então vá ao Buracão e depois me responda se é ou não legítimo que eu levante essa lebre.
E por falar em natureza... O Buracão é exponencial. Experimente fechar os olhos e sentir o vento bater no rosto enquanto o mar - agitadíssimo e quase sempre azul limpíssimo - se revela uma verdadeira orquestra. E a música... é a da natureza! Mas cuidado ao se aventurar nas águas de dona Janaína. Pela força das correntes que ali se cruzam parece que é o epicentro da senhora do mar; Iemanjá mora no Buracão. E eu moro perto dela. Odoiá!
31 de mai. de 2009
Chuva, suor e cachaça (com forró!)

Andei, andei, andei e nada de encontrar um lugar estilo Lado B pra dançar forró. Até que o inusitado cruzou o meu caminho. De um dos meus contatos da rede - uma simpático rapaz que dá aulas de forró, entre outros ritmos - veio a indicação: "Sertão Bom é o lugar pra se dançar um forró autêntico em Salvador". E veio acompanhada de contra-indicações: todos os lugares que eu tinha ido até então estavam limados por este "especialista".
E não deu outra. Em um sábado pra lá de chuvoso, convenci minha amiga aniversariante do dia, Márcia, que transferisse sua comemoração para lá. Mas as chuvas não ajudaram! A ela, porque a mim só beneficiaram: moro praticamente ao lado do restaurante típico, localizado na Pituba. O fato de ter chovido bastante deve ter esfriado os ânimos dos frequentadores, pois, nesse dia, não estava lotado - mas David, o professor de forró, garante que a gerência não permite superlotação, o que já conta 1.000 pontos no meu ranking de lugares legais pra frequentar.
Mas a chuva não esfriou os ânimos da casa noturna. Comida gostosa, uma cachaçaria típica (para quem gosta da branquinha, é excelente pedida), decoração lindíssima (parece que é interior mesmo) e, o principal, uma banda de forró autêntico (Clã Brasil), formada por um senhor pra lá de simpático e sua famiília - a tocar clássicos de Gonzagão e cia. Fui ao delírio! A segunda banda (Sobe Poeira) é mais moderna. Embora seu repertório seja mais recente, procura manter a linha da anterior - autenticidade de ritmos e estilos nas composições que executa.

Os preços são bons e o couvert, ótimo: R$ 7 reais. Ah, a casa tem horário para começar e terminar o arrasta-pé, das 21h às 2 h. Portanto não se atrase. Ponha suas botas pra enfrentar as quase fatais chuvas da noite de Salvador nessa época do ano e aproveite o forró de cidade grande com carinha de interior.
Anarriê!
17 de mai. de 2009
Um teatro encantado debruçado sobre o mar
No olho do furacão da cidade, onde tudo acontece, o Rio Vermelho, está um dos espaços mais encantadores: o Teatro do Sesi. Lá já passei por momentos muito especiais. Entre outros, um show da minha linda e talentosa amiga Claudia Dulth, um espetáculo teatral simplesmente mágico cujos personagens eram encenados com as mãos, um show do meu amigo Eduardo Brito com Eliane Veiga e Roberval Santos em homenagem aos magistrais Cartola e Noel. E nesse último, levei a minha mãe - todos hão de convir que um espaço para o qual levamos a nossa mãe tem que ser um lugar sagrado.
Sagrado? Muito mais que sagrado: debruçado sobre o mar, esse encantador (olha a palavra de novo...) espaço, além da música de altíssima qualidade do bar da varanda, o Jequitibar, tem a inebriante canção do mar. Já viu coisa mais perfeita? Um teatro debruçado sobre o mar. E quando tem lua cheia... hummmmm... Até hoje, nunca vi essa maravilhosa dobradinha por onde andei. Na última sexta, 15 de maio, o meu encantamento extrapolou com o show "Da areia", da cantora e compositora Juliana Ribeiro (www.myspace.com/julianaribeirocanta).
Enquanto a platéia se acomodava, o som ambiente de mar quebrando na beira da praia permanecia no ar, criando o clima para o que ainda estava por vir... Mar ali, mar aqui, mar acolá. Simplesmente irresistível! Um dos momentos mais arrebatadores - juro, deu vontade de pular da cadeira pra dançar - foi a participação do ator, dançarino, produtor, cabeleleiro... ufa! Déo Carvalho. Ele dançou e cantou um delicioso maxixe com a Juliana.
Essa encantadora (!!!) artista tem tudo a ver com esse encantador espaço pela consistência de seu trabalho que traz uma extensa e rica pesquisa (resultado do mestrado que está concluindo na Escola de Música), pelo compartilhamento com o público de toda essa cultura e, acima de tudo, pela alma que coloca em tudo que faz. Sexta que vem é o último dia da temporada. Vê se não vão perder, hein?!
Nesse mini clip abaixo (passe uma vez para carregar e acione novamente o play ao final), você pode conferir uma pedacinho desse encanto - mas nada se compara ao que se sente presencialmente.
Observação: o dicionário Michaelis explica o significado dessa que eu considero uma das mais semanticamente ricas e esteticamente belas palavras da nossa língua: "adj (encantar+dor2) Que encanta; belíssimo, esplêndido. sm 1 Aquele que faz encantamentos; mágico. 2 Aquele ou aquilo que encanta ou seduz."
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