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3 de fev. de 2013
Cinematografando URGENTE: O Som ao Redor
Meu amigo e crítico oficial desse blog, Nelson Doy, mandou-me esse texto abaixo para publicar. Farei isso com certeza. Mas tenho que confessar que achei ainda mais fascinante que o texto o comentário que ele escreveu na lista do nosso grupo após enviá-lo: "Só acrescentando, acho que O Som ao Redor é uma grande experiência a ser vivida, vivenciada, o legal é passar por essa experiência; é um filme muito sensorial e mental: esse é o barato dele. O barato não é falar dele, mas experienciá-lo. E se não assistir no cinema, tem que assistir em casa com um som bom, que preencha o ambiente. É isso. Vivam essa experiência. Passem por esse filme."
Se vocês já estão seduzidos como eu, então corram para o cinema (uma obra assim, é bem melhor na telona, não é?), pois a película já está saindo de cartaz, mas vi que a Sala de Arte vai reexibir. Entendeu o porquê do URGENTE no título? rsrsr... Então esse texto poderia estar na seção Cinematrografando ou Rebobinando. Tudo depende da sua velocidade em comprar o ingresso do cine ou ter que ir a uma locadora (rezando para que a distribuição seja boa e chegue à uma loja perto de você, claro!) Confiram (enfim!), o texto de Nelsão, cujo primeiro título eu amei também "Aqueles e Aquilos que se nos Impõem os Seus Limites" (mas que ele resolveu mudar... Fazer o quê? rsrsr...)
"Um Peckinpah Malemolente
Já quase saindo de cartaz, fui conferir essa nova sensação do cinema nacional que é O Som ao Redor. Simples e extraordinário como um pequeno e bem resolvido tratado sociológico brasileiro e no uso da linguagem cinematográfica, é mais um fruto da geração pernambucana que já produziu, entre outros, Amarelo Manga, de Claudio Assis.
O filme retrata o cotidiano de um condomínio classe média em alguma rua, em algum bairro, que poderia ser em qualquer capital brasileira, Rio, São Paulo, BH, Salvador, Porto, você nomeia, mas que afinal ocorre, muito apropriadamente, no Recife, como se verá. Tudo começa a mudar com a chegada de seguranças que se oferecem para prestar serviço de vigilância na rua.
Nada se pode falar de O Som ao Redor sem estragar o prazer de desmontar e remontar esse pequeno quebra-cabeças, mas às vezes uma análise ajuda a curtir melhor. Você decide se continua a ler. O mais importante a dizer é que, sendo uma construção sensorial e psicológica, é fundamental passar pela experiência de assisti-lo. Se não no cinema, talvez até melhor em casa (tem tudo a ver assistir na sala ou até no quarto), mas então em home-theater com um som que preencha todo o ambiente. A sonoplastia é um ator importante no filme.
O Som ao Redor é um declarado filme de terror que de tão leve e agradável, doce, muitos quase não se dão conta disso. Em uma época em que se usa misturar gêneros, vai bem esse, misturado com um cinema tipo “MPB”, desses mesmos que retratam o cotidiano de um condomínio classe média. Não é por acaso que comece com uma reprodução marcante de O Iluminado, a cena da menina no velocípede, percorrendo os corredores do hotel mal assombrado.
O fantasma no caso, não é a violência urbana, mas a sensação dela, a possibilidade dela, que paira no ar ao redor como se o risco da invasão estivesse o tempo todo presente na vida do brasileiro. O filme todo aparenta uma naturalidade fluida e despretensiosa, mas não se engane. O roteiro é ardilosamente arquitetado e irá trabalhar essa sensação iminente ao longo de toda sua estrutura. O tempo todo ocorrem cenas ou fatos que terminam em decepção, desconcerto, que agridem de uma forma ou outra nosso senso e rapidamente desaparecem, antes mesmo de machucar. E a violência, esta nunca ocorre de fato, até o momento final. Como um lento Sam Peckinpah, diretor que criou a linguagem da tensão e do nervosismo no cinema, antecipando em quase duas décadas a tal da síndrome do pânico.
O filme trata basicamente de territorialismo, dos limites, e como as pessoas brasileiras lidam com ele. Há o espaço / limite do quarto, do apartamento, do prédio, da rua. Há o limite aéreo, do som, e o limite da imagem privativa, aos quais temos ou teríamos direito. Há o limite da privacidade do telefone celular, há o limite do horário e como se invadem todos esses limites. E há finalmente o seu limite, pessoal, como espectador. O som ao redor, que preenche insistente o silêncio da película, oprime e espreme teu silêncio interior, obrigando-o a se encolher um pouco mais adentro de si mesmo, às vezes num volume tal que te obriga a resistir contra sua invasão. Nossos limites são definidos por aqueles e “aquilos” que se nos impõem. Há até o limite imposto pelos tubarões aos banhistas nas praias da cidade... Dizem que o limite da sua liberdade vai até onde começa o limite da liberdade do outro. Mas o que dizer de um país onde o limite do outro é relativo, negociável, dubitável, confrontável?
Há na história ainda o limite do amor, do relacionamento entre duas pessoas, vivido pelos personagens líderes, e como esse casal se diferencia de todo o resto por respeitar esses limites. Um casal que se ama, abre e funde seus limites pessoais, mas respeita outros, negociados na relação. No filme, as únicas vítimas e heróis são aqueles que respeitam os limites dos outros.
O Som segue nessa construção, cada vez mais tensa, até que no final, encontra a origem dessa forma brasileira de lidar com os limites territoriais, e conecta tudo. Imperdível. Nem que seja só para compreender aquele tipo que para o carro na rua com o alto-falante tocando funk no volume máximo, só para estragar a cena bucólica de nós conversando tranquilos sobre um filme bom que pintou por aí. Uma bela aula de cinema."
27 de nov. de 2012
Cinco formas de se encantar antes que o mundo acabe
Dizem que o fim do mundo será em 21 de dezembro de 2012, pelo calendário Maia.
O fatídico dia está chegando e é uma sexta. Que tal um roteiro especial antes disso?
1 - Para mim, encantamento é ver o Matita Perê subir ao palco e se apresentar no aconchegante Teatro do Sesi e nos supreender a cada temporada, em um mesmo ano, com shows completamente diferentes. Mas é surpresa meeeesssmo. Muito mais do que eu espero, sempre, sempre... E ainda me tiram lágrimas dos olhos com uma tal de uma "Valsa do Quasar"! Meu Deus, que coisa linda e especial! Obrigada Borega e Lu, por me reconectar ao Universo... Se você quer se encantar assim como eu, ainda tem uma última chance antes do mundo acabar: dia 30 de novembro, sexta-feira, no Teatro do Sesi-Rio Vermelho. Ingresso: R$ 14 (inteira).
2 - Se você quer se encantar, antes do mundo acabar... Leia textos de Alexey Dodsworth. Não li ainda seu primeiro livro "Os Seis caminhos do amor", lançado em novembro, mas, pelo longo histórico que conheço de sua trajetória, não tenho dúvida que essa obra causará esse efeito, tal como suas reflexões filosóficas e interpretações astrológicas (ele fez o meu primeiro mapa de nascimento, muito antes de se tornar o autor das interpretações do site Personare). A propósito, ele explica direitinho esse negócio polêmico do fim do mundo pelo calendário da antiga civilização pré-colombiana Maia.

3 - Oportunidade única de sair enebriado de um espetáculo é ver o Circo Picolino numa homenagem ao mestre do Cinema Novo, Glauber Rocha. "Guerreiro" tem apenas mais três apresentações na Soterópolis antes de partir para temporadas no Rio de Janeiro e São Paulo. Então, aproveitem. Na sede do circo, em Pituaçu,[ERRATA] somente no dia 7 de dezembro, às 20 horas. Ingressos: R$ 10.
4 - Admirar a riqueza de nossas raízes é mais que encantamento, não é? Então confira uma história em quadrinhos da melhor qualidade literária e técnico-artística que acaba de ser lançada: "O Curupira e o Caçador", de Elton Almeida. Parece que essa obra veio a calhar em tempos de comoção pelos genocídios dos nossos frágeis e sofridos povos indígenas. É (sempre foi e sempre será) hora de defender nossas raízes étnicas, de preservar o que é parte de nós e o que ajudou a construir muito da beleza de nossa cultura, apreciada e valorizada em todo o mundo, mas não tanto por nós mesmos.
5 - E se você quer se encantar ainda mais, antes do fatídico 21 de dezembro, tem O Teatro Mágico, no dia 9 de dezembro, às 16 horas, no Bahia Café Hall. Ingresso: R$ 40 (pra todo mundo). A trupe foi apresentada a mim, apenas pela internet, pelo meu amigo Thales Fernando (valeu, amigo!). E simplesmente não tenho palavras para descrever o que senti. Então, deixo que eles falem por si mesmos no texto abaixo, adaptado do release de divulgação:
Depois de oito anos de trabalho, mais de 400 mil CDs vendidos e o DVD ultrapassando 120 mil cópias, a trupe festeja, sem perder de vista o projeto de 'A Sociedade do Espetáculo', inspirado na obra de Guy Debord, que tem o mesmo título. A obra ainda atual do filósofo francês versa sobre a imagem enquanto elemento organizador da sociedade do consumo, transformando a realidade em ficção, e a ficção em realidade. O conteúdo das melodias e letras traz o questionamento do mundo em que vivemos hoje, como em "Amanha...será?" inspirada nas atuais manifestações que acontecem no oriente médio organizadas pela Internet, e "Esse Mundo Não Vale o Mundo", com letra que remete à Carlos Drumond de Andrade.
Assim como no álbum anterior, a trupe discute o seu cotidiano político/cultural, sem esquecer também o lado sentimental, como foi no primeiro CD (Entrada para Raros, 2003), álbum este que resgata um humanismo individual e coletivo, provocando uma catarse com o forte tom positivista que só sabe quem já esteve em um show d'O Teatro Mágico.

Há mais de 8 anos na estrada, a trupe se consolidou como principal fenômeno da internet no Brasil, obtendo mais de 6 milhões de downloads oficiais na rede, milhões de views no Youtube, centenas de seguidores e fãs em redes sociais além de aparições importantes em programas da mídia tradicional.
Texto adaptado e fotos: site de O Teatro Mágico (recomendo visitar, porque as referências imagéticas são muito interessantes - atenção, junguianos!): http://oteatromagico.mus.br/
Demais fontes constam nos respectivos posts, cujos links estão em cada parágrafo referente ao tema. Clique nos links para ter mais detalhes sobre as recomendações do Lado B.
2 de nov. de 2012
Amor... mas com personalidade!

Reproduzo divulgação do próprio autor sobre o lançamento do primeiro livro do astrólogo baiano Alexey Dodsworth. Conhecido pela maioria das pessoas como o consultor do Personare, ele é muito mais que isso. Tive o privilégio de conhecer a seriedade de seu trabalho como pensador muito antes do Personare existir, na época em que ele ainda morava em Salvador. Foi com ele que "descompliquei" a astrologia em minha cabeça! Tive a oportunidade, com alguns poucos privilegiados, de ouvir uma palestra dele sobre o tema do livro, que foi uma espécie de chave para iniciar uma longa trilha de compreensão desse tema. Infelizmente, não poderei ir ao evento. Curtam por mim!
"Em 'Os Seis Caminhos do Amor', Alexey guia o leitor pelas seis faces do amor descritas pelos gregos antigos despertando o entendimento e a aceitação do jeito de se relacionar único que cada um tem. Associando as faces do amor a elementos astrológicos e exemplificando com histórias reais selecionadas do Fórum Personare, Alexey apresenta conceitos filosóficos e da psicologia de um jeito simples e acessível, ajudando cada um a encontrar o seu próprio jeito de trilhar sua história amorosa.", explica o seu perfil no Face.
Eleito líder do time intitulado "Yaka" no reality show ecológico Amazônia, uma produção proveniente da parceria entre a Endemol e a Record, Alexey foi um dos semifinalistas do programa. A grande final do reality foi ao ar à meia-noite do dia 26 de março de 2012 e consistiu de um jogo de perguntas e respostas, cujo objetivo era avaliar a absorção de conhecimento entre os participantes.
"Em anexo segue o convite para o lançamento de meu primeiro livro solo, "Os Seis Caminhos do Amor", Editora Verus. O primeiro lançamento ocorrerá em Salvador, no dia 6 de novembro próximo, terça-feira, às 19h, na Livraria Terceiro Milênio - Rio Vermelho. Às 19h ocorrerá um bate papo com o autor e, às 20h, sessão de autógrafos. Entrada franca [obviamente]
O livro é dividido em três partes: 1. Filosofia do Amor; 2. Uma Psicologia do Amor; 3. Astrologia do Amor. Foi leve e divertido de escrever.
Oscar Quiroga gentilmente assina o prefácio: 'Por meio deste livro, o autor cumpre de forma primorosa seu ofício, tanto de astrólogo como de filósofo. Em primeiro lugar, destruindo impiedosamente as ilusões e, depois, nos exortando a abandonar toda esperança, atitudes fundamentais para abordar um tema tão ansiado por todos: o amor. À primeira vista, isso pode parecer um paradoxo, pois não é o que se espera, pelo menos não de um livro que provavelmente seria classificado como autoajuda e disposto nas livrarias junto a inúmeros outros títulos que seduzem os leitores com receitas e fórmulas para encontrar o grande amor e o sucesso, mas que, pelo andar da carruagem, não demonstram ser tão eficientes quanto proclamam. Este livro se propõe a esclarecer o amor, pois a autoajuda contemporânea termina por ser perversa em sua ingenuidade, como bem aponta o autor.'
Na sequência, ocorrerá o lançamento em São Paulo e Rio de Janeiro. Em breve dou notícias sobre os lançamentos nestas cidades."
Saiba mais sobre o autor:
http://www.facebook.com/events/376550935756757/
http://www.personare.com.br/alexey-dodsworth-2
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexey_Dodsworth_Magnavita
http://devir.wordpress.com/about/
Imagens:
Foto de minha autoria "Sequestro de Perséfone por Hades sob o olhar de Zeus", no Instituto Brennand, em Recife, representando o aspecto conveniência do amor.
O Beijo, de Rodin (http://palacetedasartesrodinbahia.blogspot.com.br/), representando o aspecto apaixonado do amor.
24 de mar. de 2012
Tico-tico no Fhubá
Muito criativo e pra lá de intessante esse festival, Fhubá. Quem deu a dica foi meu amigo Mário Augusto (até o convidei para ser "correspondente" do Lado B - ele tem o feeling). Para quem não tem a fantástica virada cultural de Sampa, já serve uma viradinha (no bom sentido, tá? rsrs...) de um fim de semana, em um só local da cidade, com a maioria das atrações gratuitas ou bem baratas. A única exceção é Renato Piaba, que é um porre e não sabe por que veio ao mundo. Mas dá pra ignorar, porque o espetáculo dele é domingo à noite (acho que só os amigos dele vão... heheheh... fui má agora!).
Mas não posso deixar de dar um destaque especial à sessão de Humorterapia, promovida pela Psiquê. Tenho feito cursos com eles e estou mais que encantada com a qualidade e o cuidado com que eles conduzem tudo. Essa atividade é gratuita.
Mas estou numa berlinda, porque tem o show de Roupa Nova na Concha. Como as duas programações serão no Complexo do TCA, o jeito é fazer um roteiro para não perder essas duas ótimas oportunidades. Abaixo reprodução das respectivas infos. Carpe diem pra vocês!
"Roupa Nova realiza show no próximo dia 31 de março, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Os ingressos custam R$80, a inteira, e começam a ser vendidos dia 08/03. No repertório do show, o Roupa Nova apresenta canções do DVD lançado em 2011, que celebrou os 30 anos de carreira do grupo. Eles cantam sucessos como 'Seguindo No Trem Azul', 'Anjo' e 'Dona'.
A banda é formada Ricardo Feghali (teclados, violão e vocais), Nando (baixo e vocais), Paulinho (percussão e vocais), Cleberson Horsth (teclados e vocais), Kiko (guitarra, violão e vocais) e Serginho Herval (bateria e vocais).
Data: 31/03/2012
Horário: 19:00
Valor: R$ 80,00 (inteira)"
Festival
O FHUBÁ busca promover uma virada cultural no complexo do Teatro Castro Alves, através de 24 horas de eventos sequências, com as mais diversas expressões humorísticas baianas. Abertura do evento com o anfitrião Jackson Costa e exposições de charges, caricaturas, HQs (história em quadrinhos) com a presença dos principais artistas do gênero e caricaturagem ao vivo!
Jackson Costa, caracterizado do poeta Gregório de Mattos fará a abertura oficial das 24 horas de humor, seguido de uma exposição regada a poesia, cordel, charges e outros. Vai encarnar Gregório de Mattos na cerimônia de abertura do I Festival de Humor da Bahia, o FHUBÁ. Personagem tão antiga e tão atual, de palavras ácidas e poéticas traçará uma crítica social através do humor. O apresentador do Aprovado, da TV Bahia, fará uma leitura dramática de textos adaptados do poeta baiano da obra “Boca de Brasa” no foyer do TCA, imperdível! 31/03.Sáb - 19h | Foyer do TCA | Acesso gratuito
Los Catedrásticos no FHUBÁ com o Novíssimo Recital da Poesia Baiana
Uma excelente opção para o sábado (31/03), o premiado Los Catedrásticos, às 21h, R$30 (inteira) e R$15 (meia), com o Novíssimo Recital da Poesia Baiana (Novamente), onde o próprio Jackson Costa, mestre de cerimônia do evento, sobe ao palco da Sala Principal do TCA, ao lado de atores do primeiro escalão do teatro baiano como Maria Menezes, Cyria Coentro e Ricardo Bittencourt, seus colegas no elenco da peça que faz uma sátira das letras de pagode e axé da Bahia. O espetáculo, dirigido por Paulo Dourado, vai abrir o festival. 31/03.Sáb - 21h | Sala Principal | Ingressos R$30 e 15
Fhuleragem e improviso
Em um cenário que lembrará os antigos palcos e barracas de Festa de Largo,uma constelação de atores, transformistas e personagens populares serão convidados a fazer apresentações inéditas, espontâneas ou provocadas! 31/03.Sáb - 23h | Vão livre do TCA | Acesso gratuito
Fhubaile
Para todos dançarem e confraternizarem com performances muito especiais durante as horas de música com DJs que tocarão do retrô à trilha de comerciais e novelas antigas e bizarras! 01/04.Dom - 1h | Foyer do TCA | Ingressos R$20 e 10
Café com Beijuuu com Daniel Rabello
Um autêntico café baianíssimo comandado por um consultor sentimental que vai fazer você se apaixonar por alguém neste Festival. Amor, Humor e gastronomia! 01/04.Dom - 6h | Vão livre do TCA | Inscrições gratuitas no site e no local
Fhubate-papo da manhã humorterapia: Qual o papel do humor na sua vida?
Especialistas e exposições, discussões e aprofundamentos psicológicos sobre a arte do humor nas relações e no cotidiano. Evento coordenado pela Clínica Psiquê – Centro de de Estudos C.G.Jung. Inscrições gratuitas no site, no local e na Clinica Psiquê (Rua Amazonas, 172, Pituba, Tel. 3345 0606 ou 8314 9455) e no local * sujeito ao número de vagas disponíveis. 01/04.Dom - 9h às 12h | Sala do Coro
Peça infantil: Grupo PIM
Espetáculo Infantil com um dos grupos que vem se destacando e desenvolvendo através da educação pela arte na periferia de Salvador e conquistado platéias por seu trabalho dedicado e inclusivo. Um excelente programa para a criançada e para os pais. 01/04.Dom - 11h | Sala Principal | Ingressos R$10 e 5
Fhubate-papo da tarde baianidade: Existe um jeito baiano de fazer humor?
Painéis com convidados especiais que falarão sobre o humor baiano em vários campos: publicidade, cinema, teatro, quadrinhos e na história. 01/04.Dom - 14h | Sala do Coro | Inscrições gratuitas no site e no local. Sujeito ao número de vagas disponíveis.
Fhubá na Roda com Luis Miranda
Uma apresentação especial do ator Luís Miranda, que será entrevistado pelo RODA BAIANA e contará sua vida, mostrará seus personagens mais famosos, suas performances e genialidade artística. 01/04.Dom - 17h | Sala Principal | Ingressos R$20 e 10
Texto: www.tca.ba.gov.br e adaptado de www.fhuba.com.br
Imagens: www.fhuba.com.br e www.roupanova.com.br
22 de fev. de 2012
Rebobinando - Revisitando a Matrix... e a natureza humana
Paz, amor, companheirismo, verdade e o propósito de cada um na vida. Temas absolutamente universais são abordados nessa obra definitiva: Matrix, que além dos três filmes (na verdade um só dividido em três partes), conta também com a animação Animatrix e games. Acabei de saber por uma amiga de origem japonesa da existência de quadrinhos nipônicos dos anos 1930, que serviram de ponto de partida para os geniais irmãos Wachowski, criadores da saga. Ela vai conseguir uma cópia para mim!
Deixando de lado as questões de bastidores, tão fascinantes quanto o próprio conteúdo, quero mergulhar, como tantos já fizeram em suas análises, no que foi dito nas linhas e entrelinhas da obra, que, na minha opinião, traz um paradigma transversal a todo conteúdo: a vida é uma questão de escolha e as escolhas têm, cada uma, um custo.
Os dois primeiros volumes versam mais sobre como o fato do ser humano se conhecer muda completamente sua perspectiva de vida e esse ser humano pode virar, literalmente, outra pessoa. O Oráculo aponta uma placa na parede de sua cozinha em latim que diz "conhece a ti mesmo". Em uma nova visita, Neo olha para essa placa pela segunda vez e percebe que ele "passou a ser" o Escolhido, porque ele decidiu se conhecer. Ele poderia ter decidido o contrário afinal...
No último volume, Revolutions, o confronto final entre Neo e o agente Smith traz um diálogo que dispensa explicações. Um pré-esclarecimento: Neo é uma espécie de anomalia sistêmica da própria Matrix e, portanto, parte integrante dela. Na conversa, enquanto Smith fala sempre no tom de "já ganhou", como aconteceu nos embates dele com as cinco versões anteriores de Neo, ironiza a determinação e persistência do adversário, questionando se a sua motivação seria paz, verdade, liberdade, amor... O programa Smith não conseguia entender aquela equação sem sentido. "Por que continua lutando se você sabe que vai perder?" Neo responde: "Porque é a minha escolha".
Além disso, depois de sua conversa com o tão exato e objetivo Arquiteto, um dos criadores da Matrix, Neo entende que não havia um Escolhido verdadeiramente. Tudo fazia parte do "show" da Matrix, tudo estava previsto no roteiro. Com o perdão do trocadilho, mais motivo para desmotivá-lo.
Entretanto, foi essa a grande sacada da personagem de Keanu Reeves: a vida é uma sucessão de escolhas e uma interminável sequência de perdas e ganhos. Por que desistir no meio da luta? Sempre existe o risco de perder, como deduz-se sobre o que poderia ter acontecido com as outras cinco versões dele. Então ele decide lutar pela sua escolha, porque é a sua escolha. A vida só tem sentido se fizermos escolhas e pagarmos o preço por elas.
O Arquiteto explica que as outras versões não foram tão bem construídas quanto Neo porque não tinham um componente que desequilibra uma equação matemática: o amor, sentimento que naturalmente ele se refere com ar de desdém.
Em outro momento o Oráculo esclarece didaticamente que a falha foi não permitir aos outros Neos terem opções. Resumindo: se você precisa convencer alguém de algo, conceda-lhe o poder da escolha. Só assim o ser humano se sente inteiro e realmente HUMANO. Amar, embora pareça parte integrante do ser humano, por vezes, consciente ou inconsientemente, decidimos não amar. Neo entregou-se a esse fascinante sentimento por Trinity.
Palavras, apenas palavras
Reflexões acessórias transcorrem por toda a obra. O encontro na estação de trem entre Neo e a família indiana (tinha que ser essa etnia!) é de uma beleza surpreendente. O programa Rama-Kandra espera que o trem o conduza ao traficante de informação Meronvíngio para pedir pela vida de sua filha, Sati, resultado da união com a sua
esposa, um outro programa, Kamala. Como todo programa inútil ou ultrapassado deve ser deletado, por amor, ele pretende salvar a sua filha. Neo, incrédulo, diz:
- É que eu nunca...
- ...ouviu um programa falar de amor?, completa o pai.
- Mas é uma emoção humana...
- Não, é apenas uma palavra. O que importa é a conexão que a palavra carrega. Vejo que está amando...- Mais sobressalto de Neo! - Pode me dizer o que faria para manter essa conexão?, dispara Rama.
- Qualquer coisa.
- Então talvez esteja aqui por um motivo não tão diferente do meu.
Mais adiante Rama explica que a sua filinha será deixada aos cuidados do Oráculo, pois não é possível ficar com eles. E Neo não entende como ele encara tão tranquilamente essa separação.
- É o meu carma, esclarece o programa.
- Você acredita em carma?, questiona Neo, mais uma vez surpreso.
- Carma é só uma palavra. Tenho o meu propósito na vida. Tenho a minha esposa e linda filha e muita gratidão por tudo isso, completou Rama com um sorriso tranquilo e suave no rosto.
Ao mesmo tempo, o status das palavras é elevado quando Trinity está nos seus últimos minutos de vida. É a segunda vez que ela morre e é definitiva. A primeira, dentro da Matrix, Neo faz-lhe uma ressuscitação cardíaca, depois de retirar a bala de seu corpo. As suas últimas palavras foram "Sinto muito". "E quando eu percebi o que realmente queria dizer, completa Trinity, já era tarde. Você me deu uma segunda chance e agora quero dizer o que realmente importa: eu o amo tanto e estou muito grata por tudo que vivi com você".
Para tudo na vida, sempre há um caminho do meio... Eu ESCOLHO esse caminho!
Imagens: www.imdb.com
12 de jan. de 2012
"Tristeza não tem fim..."
Parece que não dá pra falar das coisas boas do Lado B de Salvador, porque a cidade está gritando, desesperada, por ajuda. Vergonha na cara o prefeito não tem, muito menos os vendidos, ignorantes e/ou inúteis vereadores (a maioria - vale salientar que há gente séria em todo lugar, inclusive lá).
Bairros populares descuidados, como sempre; orla cada dia mais feia; obras intermináveis para "provar" que está trabalhando; áreas de proteção permanente "roubadas" para erguer condomínios caros (e o Ibama não faz nada!)... Parafraseando Tom & Vinicius: Tristeza parece não ter fim em Salvador...
Confesso que não sei o que fazer. Sinto-me realmente impotente diante disso tudo. Mas pelo menos posso dar apoio a gente pensante, atuante e digna - que é capaz de sair do próprio mundinho tão individualista que cada um de nós contraditória e globalmente compartilharmos. Por isso, peço que vejam esse vídeo (é bem curtinho, objetivo... quase um clip) e leia o post desse blogueiro que, não conheço, mas com quem concordo nesse momento. É disso que precisamos: união.
Sotepolitanos de corpo e de alma, uni-vos!
Venha conhecer a Bahia... antes que ela acabe!
Vídeo Desocupa Salvador
Imagem: http://peublogg.blogspot.com
19 de nov. de 2011
Soco no estômago, falta de identidade e um novo fã
Cheguei em casa sedenta pelo meu teclado. Precisava escrever esse texto, custasse o que custasse. É que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar costuma me arrebatar (eu e meio mundo! rsrsr...). Mas "A pele que habito" me pareceu uma superlativização do jeito Almodóvar de ser. Não nas já tão tradicionais "cores de Almodóvar", esteticamente falando, que quase sempre servem para "carregar" as cores das paixões, que são sua marca nas películas. Essas se mantêm idênticas e talvez até mais sóbrias.
O superlativo vem da mudança na abordagem sobre as perversões, paixões, comportamentos contraditórios e dicotômicos dos seres humanos: o mergulho é muito profundo, mas permeado por uma sutileza que tem o mesmo efeito de um soco no estômago - como descreveu um amigo, o escritor Goulart Gomes - e a discrição de um envenenamento por cicuta.
A crítica fala de um Almodóvar mais sombrio que de costume. Sem dúvida. Ele parece que está disposto a aperfeiçoar seu método sempre infalível de nos tirar da zona de conforto. Em "A pele que habito", ele vasculha (e evoca) aspectos sombrios da humanidade com maestria. Aspectos sombrios de todos nós - e que ninguém tente fugir da raia! Estamos retratados ali.
Devo pontuar que diante do que senti, discordo do meu outro amigo, o professor Alberto Freire, que aponta uma falta de identidade dessa película com a obra de Almodóvar. "Cris, gostei muito, mas não é Almodóvar. Mas precisamos debater. Então, vai ver o filme amanhã", apelou na véspera do feriado, durante o bate-papo pós-trabalho no Isopor Cultural. Não só discordo, como acho exatamente o contrário, como vocês puderam ver acima. Mas devo a Beto a dica de aproveitar as comemorações republicanas me permitindo enebriar com essa obra.
Enebriar parece a vocês um verbo superlativizante demais para classificar meu estado de espírito após um simples filme? Talvez... Mas admito não ser a pessoa certa para avaliar essa situação. Tenho que confessar que entrei na sala de projeção com olhos, ouvidos e o senso crítico muito aguçados, pois tinha travado uma ótima conversa de quase duas horas com meu amigo Aldir, companheiro de sessão. Pra lá de inteligente, culto e com um vasto conhecimento em vários segmentos, nesse aparentemente inofensivo colóquio, ele me fez realizar grandes exercícios de desconstrução de paradigmas. Será que isso explica o meu estado que perdura até agora (momento de fechamento dessa edição)?
Essa resposta, só terei na sexta-feira da próxima semana, quando será possível fazer a roda de debate no Isopor Cultural. Enquanto isso, se você leu esse texto, viu o filme e quer participar dessa discussão, pode postar aqui as suas impressões. Eu quero saber tudo que você pensa.
Vale dizer que meu amigo Aldir afirmou horas antes do filme "ser o único dentre seus amigos que não gosta de Almodóvar". Revelou a proposta de revisitar outras películas do espanhol com novo olhar, modelado por essa experiência sem igual de "A pele que habito". Saiu do cinema, quem sabe, um novo fã...
Imagens: Imdb.com
12 de out. de 2011
Cinema quântico
Enquanto o elevador panorâmico de alta velocidade sobe, Jack se prosta ao fundo do veículo, em uma clara demonstração dos pensamentos que o atormentavam. Sua expressão facial e postura envergada denunciavam um misto de culpa, tristeza, arrependimento e dores de uma infância de abusos e opressão familiar.
Essa não é a primeira sequência, nem o clímax ou muito menos o desfecho do filme "A árvore da vida", de Terrence Malick, mas foi a que deixou uma marca indelével em minha mente. Como Melancolia, de Lars Von Trier - outro excelente drama psicológico em cartaz nos cinemas - o tempo e espaço são completamente subjetivos. E como a configuração de sentido depende desses dois eixos e se dá no olhar do observador, vejo nessas duas obras uma tendência que pode vir a se massificar mesmo: a física quântica. No popular: poderíamos dizer que tudo fica ao gosto do freguês.
A subjetividade em seu volume máximo não é uma novidade para o mundo das artes ou qualquer outra forma de expressão. Menos inovador ainda para os estudiosos da psi (freudianos, lacanianos e, pra mim, principalmente, junguianos). Essas duas obras, entretanto mexem tanto conosco, sentados confortavelmente nas cadeiras, que houve quem levantasse no meio do filme, pois não teve paciência - costumamos não ter paciência de olhar pra dentro de nós mesmos.
Malick "abusa" (no bom, ou melhor, ótimo sentido) do ritmo natural e "grita" bem alto pra o homem moderno, antenado, conectado, hiper-sociabilizado, dinâmico, veloz: A VIDA TEM SEU PRÓPRIO RITMO. NÃO TENTE ATROPELÁ-LA OU ELA LHE ATROPELA! Digo que "grita" porque o narrador silencioso da trama é a própria natureza com seu ritmo leeeeennnnto, majestoso e inquestionável.
Em Melancolia, Von Trier também "berra" para ver se acorda esse homem moderno tão ocupado com sua sociabilidade. A pergunta é: afinal, quem é normal? Com uma alta carga surrealista e simbólica, tal como Malick, ele propõe com maestria que nos libertemos das formas e padrões e que enxerguemos as pessoas em sua essência. Uma verdadeira declaração de amor universal. Uma verdadeira declaração de amor ao natural. Afinal, o homem é também parte da natureza.
Talvez você esteja se perguntando: será que essas foram realmente as ideias dos cineastas? Será que eles compartilham das atuais linhas de pensamento sobre quântica que elevam a consciência do observador ao status de criador definitivo? Não faço a menor ideia. E não importa. Esse é o meu olhar: único, quântico, inquietante, transformador, transmutador.
Escolhi (e guardei dentro de mim como um tesouso) mais uma sequência de "A Árvore da vida": Jack, personagem visceralmente encarnado por Sean Penn, desce no elevador e numa praia (imaginária ou real, não importa) revê e/ ou reconcilia-se com cada membro da sua família entre outras pessoas que passaram por sua vida. Pessoas que foram reais, mas que, na psique, tornam-se personagens de um enredo que nós próprios criamos, cada um a seu tempo e espaço, como lhe convier e puder.
Esse foi o salto quântico de Jack: decidiu reacriar o filme da sua vida com um novo enredo e seguir em frente. Afinal a vida precisa seguir em frente. E você, já escolheu a SUA sequência de filme preferida com o seu "olhar" quântico?
Imagens: www.imdb.com
11 de jan. de 2011
Zeitgeist: Moving Forward em Salvador
Ana Guedes, do grupo Colegas jornalistas, do qual sou integrante postou essa mensagem e achei interessante compartilhar com a galera B. Ainda não vi, mas confesso que a proposta me pareceu interessante e consistente. Sugiro que todos que vejam, deem retorno a esse blog colocando o tema em discussão. Mais infos sobre o movimento, vejam no site oficial do Zeitgeist.
"Nesta sexta-feira, em Salvador, teremos sessões do filme Zeitgeist: Moving Forward, o novo documentário da série Zeitgeist que irá estrear em aproximadamente 50países e 270 sessões. As sessões acontecem na Sala Walter da Silveira (Rua General Labatut, 27 – Barris), nos dias 15, 16, 17, 18 e 20 de janeiro, às 19h. A entrada também é franca.
O filme foi simultaneamente traduzido para quase 30 idiomas diferentes, pelos diversos chapters do Movimento Zeitgeist no mundo, em um esforço técnico e logístico possivelmente sem precedentes, que envolveu centenas de pessoas trabalhando voluntariamente para traduzir e adaptar um longo e complexo documentário em menos de três semanas.
O Movimento Zeitgeist tem como objetivo lançar um alerta sobre a questão social e ambiental dentro da nossa sociedade, com sugestões e perspectiva de um novo remodelamento de sociedade."
14 de nov. de 2010
Rebobinando: Tecno Céu - Nosso Lar*

Nosso Lar (Wagner de Assis – 2010) revampiriza o conceito do Céu cristão para os tempos materialistas e tecnológicos em que vivemos, tornando-o muito mais marqueteável.
O filme é baseado na obra homônima de Chico Xavier, ditada pelo próprio personagem principal, o espírito André Luiz, explicando os princípios do Espiritismo kardecista e o funcionamento da colônia Nosso Lar, um entreposto espiritual anterior aos níveis mais elevados.
A história conta a trajetória de André Luiz desde o momento em que desperta desencarnado no Umbral, uma espécie de purgatório, até sua chegada e transformação espiritual na tal colônia, intercalado por flashbacks que reconstroem sua trajetória de vida desde a infância até o momento da morte física.

O conceito celestial é simples. A vida após a morte é exatamente a mesma que aqui na Terra dos encarnados, com todos os sofrimentos físicos e injustiças sociais, só que a moeda agora é outra: méritos espirituais.
Num paralelo com o Rio de Janeiro (a colônia Nosso Lar estaria situada próxima à cidade, apenas em outra dimensão energética), quem pisou na bola vai morar numa favela chamada Umbral, e quem está bem na foto vai morar num condomínio fechado na Barra. A vida na Barra é bem melhor. Lá é arborizado, ensolarado e não precisa nem sair: toda a infra-estrutura já está lá dentro, tem até Aerobus. Tudo é limpo e só tem gente de bem, convivendo num grau de civilidade plácida quase sinistra para nossos padrões.
Já em Umbral o clima é péssimo, sombrio e não oferece mínimas condições sanitárias. Quem já era ruim aqui, lá vai de mal a pior. Figurantes do videoclipe Thriller, que em trinta anos parecem ter melhorado muito pouco, brigam pelo direito de beber uma lama onde nem caranguejo viceja. O objetivo é se arrepender do fundo da alma e ser resgatado dessa lama.

Nosso Lar constroi a partir daí as bases para se tornar o novo clássico do conformismo social. Ao pobre encarnado, oferece a chance de pular direto para a classe alta após a morte. Além disso, cria a espetacular figura do determinismo livre-arbitrário: foi você mesmo quem programou sua trajetória de vida, em modernos iPads celestiais, antes de encarnar para viver o seu roteiro. Para a classe média, o alento é que Lá é quase tão ruim quanto aqui. De mérito em mérito, um trabalhador dedicado leva dezoito anos para comprar uma casa própria. O serviço público também não é lá essas coisas. Apesar de amáveis e atenciosos, tudo leva uma eternidade. A frase “no dia em que for atendido eu já reencarnei” acontece de fato.

De resto, não faz mal. Ensina que abusos cometidos contra o corpo, como beber e comer mal e demais (cigarro implícito) podem caracterizar morte por suicídio inconsciente, o que é garantia de ir direto para o final da fila. Ensina a abandonar o orgulho, a inveja e a preguiça. Ensina que a Terra é o melhor dos planetas para encarnar (consciência ecológica). Ensina a respeitar crianças, idosos e a família porque é provável que em alguma próxima encarnação, seu pai retorne como seu filho adolescente! Ensina a orar pelos falecidos, porque eles recebem as orações num Facebook; super chato eles abrirem e você não estar lá. Aos marxistas, acena com um bem sucedido tecnoparaíso igualitário, baseado em trabalho comunitário. E, acima de tudo, ensina que ser cético não está com nada...

A oportunidade do ano para assistir um filme com sua avó. Sem arrependimento. E vale prestigiar essa iniciativa do cinema nacional de encontrar seu caminho para os blockbusters comerciais, bons de bilheteria. Enquanto os norteamericanos investem em violência, o cinema brasileiro investe em comédias e espiritismo. É outro astral.
Imagens: www.adorocinema.com.br
*Texto de Nelson Doy Jr., publicitário, mora no Rio, mas curte o Lado B de Salvador quando aparece por aqui. Eu e o Nelson nunca debatemos o tema, mas nossas visões sobre espiritualidade são um tanto diferentes (pelo que ele expôs aqui), o que não impede que ele escreva para esse blog e que eu poste seu texto com muito prazer e muita honra. E viva a diversidade!
7 de nov. de 2010
É tempo de filosofar

Para quem acha que filosofia é coisa ultrapassada, é bom correr para pegar o bonde da história. Nos últimos anos, o filófoso canadense Lou Marinoff tem mexido com muita gente nas confortáveis cadeiras, cátedras, sofás, divãs e outros objetos "sentáveis".
Sua obra mais famosa "Mais Platão, menos Prozac" defende que o ser humano pode vivenciar e superar a maior parte de seus problemas psicológicos e/ou existenciais com filosofia - ao invés de medicamentos e outras drogas - como sempre ocorreu há milhares de anos na história. (veja entrevista da revista Época)
Em comemoração ao Dia Mundial da Filosofia*, a Associação Cultural Nova Acrópole promove o evento 5ª Semana Mundial da Filosofia com a exposição "Civilizações e Filosofia" e palestras ligadas às tradições filosóficas que originaram ou influenciaram o pensamento do Ocidente. Como o site deles é meio confuso, o melhor é dizer a programação aqui e vocês tirarem as dúvidas por fone ou e-mail (3354-4878/ 8728-3233 ou salvador@nova-acropole.org.br). Fica na Alameda Florença, nº 108, Pq. Júlio César, Pituba.
25/11 - quinta-feira (19h) - Japão
26/11 - sexta-feira (19h) - China
27/11 - sábado (17h) - Roma e Grécia
28/11 - domingo (15h) - Nova Acrópole - Um ideal atemporal adaptado a nossa realidade
No dia 20, sábado, às 17 horas, antes do evento, tem uma palestra grátis: "O poder da mente sobre a matéria". Informe-se também sobre a programação gratuita permanente e outras atividades como curso de filosofia para jovens de 14 a 17 anos, artes marciais filosóficas, pilates, oratória e oficina de desenho.
* O Dia Mundial da Filosofia, 21 de Novembro, foi instituído pela Unesco. A proposta é de mostrar que a Filosofia (palavra do grego que significa amor pela sabedoria) é uma atividade que deve e pode ser praticada por todos, independente de classe social, credo, grau de informação, pois é essencial à manutenção da vida e da cidadania.
Imagem: www.nova-acropole.org.br
15 de ago. de 2010
Cinematografando: Cinco pessoas que você encontra no céu

Essa a minha estreia no Cinematrografando, pois Nelson Doy é o titular da cadeira. Mas devo alertá-los que minha abordagem nesse texto vai por outra linha. Sou mais de transcender o cinema, de usá-lo como suporte para reflexões, do que falar propriamente da Sétima Arte em seus aspectos técnicos, o que é feito com maestria pelo meu amigo. Esse é da série Rebobinando, pra ver em casa, no sofazão, com uma boa companhia e poder trocar ideias no final.

"As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu conta a história de Eddie, o mecânico de um parque de diversões que morre no dia de seu aniversário de 83 anos, tentando salvar a vida de uma garotinha. Imerso numa rotina de trabalho e solidão, ele passou a vida se considerando um fracassado. Ao acordar no céu, encontra cinco pessoas - algumas conhecidas, outras que ele nunca viu. Cada uma dessas pessoas revê com Eddie uma passagem de sua vida, resolvendo antigos mistérios, dissolvendo antigas mágoas, revivendo antigos amores. A cada experiência, fica mais clara a grande importância dele na vida de milhares de pessoas sem que se desse conta, provando que cada vida está ligada a outra de formas que, muitas vezes, não entendemos."
Esse recorte de sinopses "oficiais" do filme apenas atraem um pouco a atenção de uma possível audiência, embora não atraia multidões. Mas multidões poderiam ver (e provavelmente se sentirem empáticas com) essa obra, baseada no livro homônimo de Mitch Albom, um escritor de best sellers que foi responsável também pelo roteiro desse filme de 2004, produzido para TV.

É lógico que há verdadeiras obras de arte sobre o ato de viver e tudo que o justifica, com citações filosóficas em grande número e da mais alta qualidade. Mas nunca encontrei um filme tão claro sobre o tema; tão simples, que mesmo as pessoas que não costumam se aprofundar nessas questões existenciais podem perfeitamente fluí-lo. É um filme tecnicamente muito bem construído, mas, como eu disse, não quero entrar nessa seara. Mas posso garantir que tem aí um espetáculo a ser visto.

Quem me conhece bastante, sabe o quando temas existenciais são item 1 da minha lista de prioridades. Por isso, já tive oportunidade de ler e assistir obras das mais populares às mais complexas que abordem os segredos da vida. Entretanto As Cinco pessoas... passou, desde ontem, a ter uma cadeira cativa nos meus estudos vida à fora. Especialmente no meu atual momento, em que estou na berlinda em várias instâncias de minha vida, essa obra veio a calhar.
Sabe quando você está diante de alguém ou situação que lhe diz tudo que você precisa para seguir em frente? Eis o efeito que esse filme teve sobre mim. Ah, ele também ensina sobre isso: o saber ouvir e/ou ver o que está diante de nós com o coração aberto para o aprendizado e entender que aquilo que é, para nós, o óbvio, nem sempre é o que parece. Pode ser algo muito distante do que a nossa restrita visão de mundo se acostumou a enxergar.

Generosidade, cumplicidade, perdão, misericórdia, amor, confiança, resignação, compartilhamento, compreensão, gratidão... Esses são alguns dos nobres sentimentos colocados em pauta na película. Resumindo: assistam, porque nada do que eu diga será suficiente para dar conta da riqueza dessa obra. Podem dar uma olhadinha no trailer legendado no Youtube.
Fotos: IMDB.com
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