Crédito desta foto: eu mesma inspiradíssima...

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26 de set. de 2011

Novas óticas sobre a africanidade


Dica do escritor Goulart Gomes:

A Livraria LDM, Ed. UNICAMP, Ed. Alameda e as autoras convidam para o lançamento dos livros "Os Rosários dos Angolas", de Lucilene Reginaldo, e "O Direito dos Escravos", de Elciene Azevedo. Nesta sexta-feira, 30 de setembro, à partir das 18h, no auditório do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), na Pç. Inocêncio Galvão, 42, Largo Dois de Julho. Mais informações: (71) 2101-8007 (LDM) ou 3283-5501 (CEAO) ou eventos@livrariamulticampi.com.br




Leia as orelhas virtuais:

Os Rosários dos Angolas
Irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista
Uma abordagem histórica ampla e arejada, que transcende fronteiras territoriais e pressupostos tacanhos, confere ao livro de Lucilene Reginaldo uma perspectiva inovadora ao iluminar com outras luzes um tema já trilhado pelos estudos da escravidão: a história das confrarias leigas de africanos e crioulos articulada à experiência da escravização e à do Império português.
Focalizando as irmandades setecentistas de Nossa Senhora do Rosário em cidades da África atlântica, da metrópole e da América portuguesa, historiciza os significados que tiveram para a vivência da escravidão e para a elaboração de identidades africanas fora e dentro do continente. Demonstra que foram um dos locus preferenciais da recuperação de uma humanidade danificada pelas contingências da escravização, tanto por mobilizar sentimentos de pertença, quanto por veicular devoções de livre escolha.
Por outro lado, ao iniciar a análise por uma problemática ainda pouco familiar aos leitores brasileiros – a da expansão do catolicismo na África Central –, sublinha a importância de se levar em conta a história pregressa das sociedades de onde vieram partes significativas da população brasileira.

Sobre a autora: Lucilene Reginaldo nasceu em Santo André-SP, fez graduação e mestrado em História na PUC-SP e doutorado em História Social na Unicamp. È atualmente professora de Teoria e Metodologia de História e História da África no departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana.

O Direito dos Escravos
O abolicionismo, importante movimento social no Brasil do século XIX, foi muitas vezes visto pela historiografia como resultante da ação de homens de sentimentos humanitários, que teriam tido a glória de resgatar os pobres negros do cativeiro.
Na contramão dessa memória, este livro evidencia que, em São Paulo, se o abolicionismo ganhou força e substância a partir da atuação de juízes e advogados como Luiz Gama e Antonio Bento, suas principais características se devem ao contato direto desses homens com as expectativas e ações dos próprios escravos.
Ao buscar os significados sociais que eles atribuíam ao direito e à lei, este livro questiona as interpretações tradicionais que dividem o abolicionismo paulista em uma fase “legalista” e outra “radical”.

Sobre a autora: Elciene de Azevedo possui graduação (1994), mestrado (1997) e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2003). Atualmente é professora da (UEFS).Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: escravidão e movimento abolicionista, história do direito e das lutas jurídicas, experiência de trabalhadores escravos e livres no processo da abolição.

13 de set. de 2011

De cara com o escritor




A dica é: o escritor Goulart Gomes é a bola da vez no evento Encontro com o Escritor (ver post do dia 03/03/2011)nesta quinta, 15, às 15 horas, na Biblioteca Anísio Teixeira (Ladeira de São Bento, Salvador, Bahia). O evento é realizado pela Fundação Pedro Calmon, Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Quem puder ir, garanto que vale a pena.

Essa humilde blogueira que vos escreve faz questão de complementar a referência que ele apresentou de si mesmo no rodapé deste conto, na minha opinião, sucinta demais para retratá-lo fielmente. E escrevo aqui feliz da vida por ter recebido um sim de autorização do escritor para publicar esse conto no Lado B.

Detentor de mais de 60 prêmios, ao longo de quase 30 anos de carreira, o escritor baiano Goulart Gomes esteve, no último agosto, em Passo Fundo (RS) para receber mais um: o prêmio pelo Primeiro Lugar no 12º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, durante a 14ª Jornada Nacional de Literatura. O evento contou com a presença da ministra Ana de Hollanda, também representando a presidenta Dilma Rousseff. Foram 2.400 contos de 802 concorrentes, a grande maioria de SP, RJ, MG e RS.

"Por uma Hogwart em cada bairro*

Que podemos esperar de uma criança que teve os seus pais assassinados por um bandido, que carregará pelo resto da vida as cicatrizes – no corpo e na alma – desse crime e que, além disso, é humilhado pelos parentes mais próximos e obrigado a dormir em um cubículo sob a escada da casa, que leva ao andar superior? Muito. Se ele tiver acesso uma boa Escola. Se você lembrou do bruxinho Harry Potter, acertou.



A Escola de Hogwart transformou a vida do garoto, que poderia estar condenado a ser um fracassado. Lá, ele esteve em contato com o Conhecimento, que leva ao Saber, estudando disciplinas que foram decisivas em sua epopeia, preparando-o para ser um grande bruxo (ou um grande profissional, se preferir). Mas não apenas isto. Na Escola de Hogwart ele teve a oportunidade de conhecer grandes mestres, que também lhe deram lições de coragem, honestidade, sinceridade, altruísmo e confiança.

Foi na Escola que ele fortaleceu amizades que durarão para sempre, pessoas que sempre estão ao seu lado nos momentos mais felizes, e nos mais difíceis, também. Afinal de contas, amigo é para sorrir e para chorar, juntos. Na Escola ele teve que se defrontar com inimigos, e realizar mais um aprendizado: ser digno e leal, mesmo quando os adversários não comungavam com estes valores.


A Escola transformou a vida de Harry, positivamente. É por isso que precisamos ter uma Hogwart em cada bairro, de cada cidade do país. Boas escolas, com professores preparados, valorizados e dedicados a contribuir para transformar cada aluno em um heroi da sua própria história: cidadãos respeitáveis, que se não salvarão o mundo, como Harry, poderão transformá-lo significativamente, vencendo as vilãs que jamais deveríamos dizer o nome: a Ignorância, a Miséria e a Desigualdade.

Além do mérito de ter conseguido fazer com que milhões de jovens despertassem o prazer pela leitura, Joanne Kathleen Rowling, a autora da série, nos deixou um grande legado ao demonstrar como a Escola é um maravilhoso espaço de transformação social e de formação de cidadãos livres, construtores do seu próprio Destino."

* Goulart Gomes é escritor, professor voluntário e teve bons mestres. (www.goulartgomes.com)

Imagens: Facebook Goulart Gomes e IMDb

16 de ago. de 2011

Sambando em alto estilo no Parque



Olha, Juliana Ribeiro aí, gente! Posto o release da artista que dispensa comentários para quem já conhece. E para quem não conhece ainda, só dou um conselho: vá assistir a um show dela, pois é um exemplo de talento, inteligência, simpatia e humildade.

Juliana Ribeiro lança primeiro CD solo no Parque da Cidade, neste domingo, às 11 horas da manhã. “Amarelo” é resultado de pesquisas da cantora e historiadora e apresenta as matrizes que constituem o samba.

"Ela é filha do Sol e de Oxum, pertence ao signo de Leão e tem como elemento chinês o fogo. Por esses e outros motivos, Amarelo foi o nome escolhido para o primeiro CD solo da compositora, intérprete e historiadora baiana, Juliana Ribeiro (32).

A obra é composta por uma vasta pesquisa que traz inusitada harmonia entre ritmos como o jongo, o semba, o batuque, a Música Popular Brasileira (MPB), o lundu, o ijexá, o maxixe e o samba. Dessa forma, Juliana Ribeiro se apresenta ao público como uma artista completa, sem rótulos ou limitações, durante o show de lançamento no dia 21 de agosto, no Parque da Cidade, no mesmo dia em que a artista comemorará seu aniversário.



O CD contou com a direção musical Duarte Velloso e o brilhantismo de Ricardo Hardmann, André Tiganá, Wilton Batata, Kiko Souza, além de outros músicos convidados e participações especiais do Coro de Cor e Roberto Mendes. O repertório é formado por composições próprias e de grandes nomes do cenário musical baiano como Tiganá Santana, Reginaldo Souza, feitas especialmente para esse CD, e os maiores sucessos em seus dez anos de carreira.

Cada música carrega um significado especial para Juliana. “Eu vim das águas”, por exemplo, foi feita especialmente para Yemanjá. “Gostaria de homenageá-la e agradecê-la pela companhia de toda uma vida. Sonhei com o refrão e assim que acordei compus a letra e a melodia”, disse. “Xica Xangô de Ouro”, composta pelo irmão da cantora, Arthur Ribeiro, é uma das faixas que chamam mais atenção no CD, pela sonoridade do Ijexá. “Edith” foi um presente, pois foi o autor, J. Veloso, quem escolheu Juliana para interpretá-la.

No palco, a cantora usa e abusa de recursos e faz um verdadeiro espetáculo. Entre uma interpretação e outra, Juliana entretém o público com histórias sobre os ritmos cantados e que contam a trajetória do samba na música popular brasileira. "É um espetáculo que reúne três séculos de canção", diz.

Um dos momentos mais esperados acontece durante a apresentação da música “Atraca Atraca”, que apresenta o ritmo afro-brasileiro chamado Jongo, uma das matrizes pesquisadas pela artista. Para ilustrar melhor o ritmo, a dançarina e professora Vânia Oliveira (Funceb), foi convidada para coreografar essa manifestação no palco.



“A intenção é que a platéia compreenda mais sobre os ritmos através da dança”, explica Juliana. O CD é patrocinado pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Bahiagas e do Faz Cultura, e produzido pela Baluart Produtora Cultural e Deo Carvalho.


O QUE? Lançamento do CD AMARELO de Juliana Ribeiro

QUANDO? Domingo, 21 de agosto
ONDE? Parque da Cidade- Projeto Música no Parque
HORAS? 11h da manhã ( pontualmente)
OBS.: Os CDs estarão à venda no local com preço promocional de 20 reais"


15 de ago. de 2011

Confira o cardápio do Restaurant Week




Como eu já bloguei, no dia 15 de agosto, começa hoje a 1ª edição do Salvador Restaurant Week. A maratona gastronômica de uma semana contará com os melhores restaurantes da cidade que servirão menus especiais com entrada, prato principal e sobremesa a preços promocionais.

Os cardápios especiais com entrada, prato principal e sobremesa serão oferecidos a R$ 28,90 no almoço e a R$ 39, no jantar (bebidas, serviço e couvert não inclusos).

Estou indo agora almoçar em um dos restaurantes do evento! Hummm...

Clique aqui para conferir o cardápio do Salvador Restaurant Week.




Imagens:
Salvador Restaurant Week

9 de ago. de 2011

Novos convidam veteranos




Projeto lindo: artistas pouco conhecidos convidam veteranos ou vice-versa... Como estou fora da cidade a serviço da empresa, não pude escrever esse post antes. Mas ainda dá tempo vocês se programarem. É de graça, de alto nível e será pura diversão. Sem mais delongas (até porque não posso demorar... rsrsr...), reproduzo texto do Ibahia. Encontro você lá, ok?

Conexão Vivo BA está de volta a Salvador com 55 atrações de diferentes regiões do país. Entre 11 e 14 de agosto, artistas já consagrados da música brasileira e destaques da nova cena dividem dois palcos, pelo segundo ano consecutivo, na Praça Wilson Lins (ex-Clube Português). São quatro noites de intensa programação, com shows que começam cedo: 18h30, de quinta a sábado, e às 17h ao domingo. A entrada é franca.

Atrações

11/08 – quinta-feira – às 18h30
Juliana Sinimbú (PA) convida Felipe Cordeiro (PA)
Black Sonora (MG) convida Di Melo (PE)
Juarez Maciel (MG) e Grupo Muda (MG) convidam Edgard Scandurra (SP)
Marku Ribas (MG) convida Zérró Santos
Gilvan de Oliveira (MG) convida Armandinho (BA)
Porcas Borboletas (MG) convida Paulo Miklos (SP)
Ortinho (PE) convida Pepeu Gomes (BA)

12/08 – sexta-feira – às 18h30
Babilak Bah (PB) convida Chico Correa (PB)
Iva Rothe (PA) convida Gerônimo Santana (BA)
Três na Folia - Cláudia Cunha, Manuela Rodrigues e Sandra Simões (BA)
Márcia Castro (BA) convida Mariella Santiago (BA), Mariana Aydar (SP) e Mayra Andrade (Cabo Verde)
Pedro Morais (MG) convida Maglore
Gaby Amarantos (PA)
Lenine (PE)

13/08 – sábado – às 18h30
Sertanília (BA) convida Nego Henrique (PE) e Emerson Calado (PE)
Família de Rua na Estrada (MG) apresenta Duelo de MC´s (MG )
Alisson Menezes e a Catrupia (BA) convidam Paulo Monarco (MT) e Maviael Melo (BA)
Érika Machado (MG) convida Rebeca Matta (BA)
Senta a Pua! (MG) convida Elza Soares (RJ) e Eduardo Neves (RJ)
Samba do Compositor (MG) convida Mariene de Castro (BA)
A Cor do Som (BA)

14/08 – domingo – às 17h
Grupo Percussivo Mundo Novo (BA) convida Wilson das Neves (RJ)
Peu Meurray (BA) convida Magary (BA)
Manuela Rodrigues (BA ) convida Romulo Fróes (SP)
Gustavo Maguá (MG) convida Marco Mattoli (SP)
Celso Moretti (MG) convida Edson Gomes (BA)
Flávio Renegado (MG) convida Lenine (PE)


Textos e imagens: Ibahia

31 de jul. de 2011

Roteiro popular de alta gastronomia


Calma... Você que é louco por gastronomia, mas se sente impedido de usufruir desse prazer por conta de custo, não tenha uma taquicardia achando liberou geral, todo mundo resolveu baixar preço de tudo de uma vez. Trata-se de um evento, durante uma semana, envolvendo alguns dos melhores restaurantes da cidade - dica da colega Zorilda, grande amante da boa mesa.



"Pela primeira vez em Salvador o Restaurant Week, uma das maiores semanas gastronômicas do mundo, que acontece na capital baiana de 15 a 28 de agosto em 40 restaurantes.

Realizado há 20 anos pela primeira vez em Nova York, traz como principal regra reunir os melhores restaurantes e pratos com preço único. Ou seja, todos os estabelecimentos participantes devem oferecer entrada, prato principal e sobremesa a R$ 28,90 no almoço e a R$ 39,00 no jantar, sendo que bebidas, serviço e couvert não estão inclusos.

Hoje, o evento já passa por cidades brasileiras como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Espírito Santo e São Paulo.

No Salvador Restaurant Week (SSARW), já estão confirmados nomes como Amado, Ercolano, Mme Champanharia, Barbacoa, Veleiro, All Saints, Soho, Baby Beef Gamboa, Piola, La Figa, Bella Napoli, Milque, Lafayette, Carro de Boi, dentre outros.



Na programação, a expectativa é que mais de 10 mil pessoas experimentem os 50 mil pratos que farão parte do festival de cultura e sabores e ainda possam ajudar as Obras Sociais Irmã Dulce com a contribuição opcional de R$ 1,00.

Na organização, Licia Fabio Produções, experiente no ramo de outros eventos gastronômicos como o Nordeste Gourmet, realizado há quatro edições e Wine Bahia, que completou este ano sua sétima edição, além da Mica, empresa de mídia exterior.

Dentre os patrocinadores, Mastercard, co-patrocínio Sodexo, apoio Redecard e harmonização Ana Import que vai oferecer ao público vinhos de qualidade a preços inferiores aos de venda na loja. Para os clientes Mastercard Black e Platinum uma novidade. Todos terão a oportunidade de participar da semana gastronômica com exclusividade de 08 a 14 de agosto."

Texto adaptado do site Salvador Acontece

Imagens: Brasil Restaurante Week

24 de jul. de 2011

Viagens sobre a telona




Dica da minha amiga do coração, Rosa Leiro: começa amanhã, às 14 horas, e vai até o dia 30 de julho, o VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual - Cine Futuro. Os locais são Teatro Castro Alves, Goethe-Institut/ICBA, Salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto e Hotel Sol Victoria Marina. Vale a pena visitar o site Cine Futuro para saber como se inscrever e ficar por dentro da extensa e rica programação. Tem co-patrocínio da Petrobras.

O evento terá mesas redondas, diálogos, palestras, mostra retrospectiva Bernardo
Bertolucci (uau!!!), ciclo de palestras, mostras internacional de filmes, competitiva de curtas, além das especiais: Sandrine Bonnaire, Amor à Francesa, Indicados EFA 2010 e Animação Francesa.

Entre os convidados: Peter Jospeh, Sonja Heinen,Zelito Viana, Leonard Retel Hemlrich, Ivana Bentes, Ricardo Miranda, Miguel Coyula, Antoine De Baecque, Charles Tesson, André Sturm, Diego Rodríguez, Arthur Omar, François Bonenfant, François Rabaté, Gilberto Felisberto Vasconcelos, João Carlos Teixeira Gomes, Maria do Rosário Caetano e Messias Bandeira.

Texto adaptado da página do evento no Facebook

16 de jul. de 2011

Salvador recebe Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais*




A cidade de Salvador foi escolhida para abrigar, pela primeira vez, o bianual e internacional Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, este ano em sua décima primeira edição. Tem como tema central as "Diversidades e (Des)Igualdades", o congresso acontecerá nos dias 7, 8, 9 e 10 de agosto, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia e nas unidades do Campus Ondina da UFBA (PAF).

Participam do evento conferencistas de renome internacional, como o escritor moçambicano Mia Couto, profissionais e estudantes das áreas das Ciências Sociais, História, Africanidades, Linguística, Literatura e áreas afins, de todo o mundo, que falem português.

Organizado por um comitê composto de pesquisadores de todas as universidades públicas da Bahia, com a coordenação do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia, o XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais realizará conferências, mesas coordenadas com especialistas, encontros paralelos e terá uma rica programação cultural, com lançamentos de livros e shows.

As inscrições para apresentação de trabalho no XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais já estão encerradas. Estão sendo aceitos apenas participantes ouvintes. Informações adicionais podem ser encontradas no site do Congresso.


*Adaptado do texto da jornalista Doris Pinheiro

2 de jul. de 2011

Nosso aeroporto é 2 de julho




Acabei não indo pra o desfile do 2 de julho, pois acordei tarde (semana cansativa...). Amigos, perdoem-me a ausência. Ano que vem faço nova tentativa. Mas acabei me passando de dar a minha humilde contribuição e declarar o meu respeito por essa data tão importante para o nosso estado e, para quem conhece bem a história, para o nosso país: a Independência da Bahia. Aí pensei: "postando até meia-noite, vale!" ;)

Existe um projeto de lei do deputado Luiz Alberto que tramita (creiam!) desde 2002, para restituição do nome do aeroporto internacional baiano. O site www.meuaeroportoe2dejulho.com.br abre espaço para o povo contribuir com essa causa, assinando um manifesto popular. Se você concorda, vai lá e assina!

Eu assinei no ano passado, acabei de assinar de novo em 2011 e assinarei quantas vezes for necessário até que o nosso aeroporto volte a ser nosso.

Eis a mensagem que deixei lá:

Srs. parlamentares,

Vidas e vidas se perderam em prol de um ideal maior: a Indepedência da Bahia, 2 de julho, que foi também o estopim para Independência do Brasil. Como um fato tão importante para a nossa história pode ser riscado dessa forma da vida dos baianos com a mudança do nome de nosso único aeroporto internacional para o nome de um parlamentar (bom, mas não tão importante assim)? Está certo uma brilhante e heróica ação histórica da coletividade ser suplantada em detrimento de interesses de indivíduos?

Está na hora do Brasil agir enquanto nação e deixar de lado interesses isolados, pois a união é que nos fortalece enquanto povo e cultura, especialmente nesse cenário de globalização.

Fico muito agradecida desde já por sua sensibilidade e demonstração de sabedoria ao acolher essa proposta.

E tenho certeza que a nação brasileira, em gratidão, vai guardar nos anais da história os nomes dos homens que resgataram essa fundamental e marcante passagem da nossa trajetória de lutas e conquistas.

9 de jun. de 2011

Da sala de aula para o mundo*




Quilombola é o quê? A jornalista Jaqueline Barreto resolveu responder esta instigante pergunta através do documentário Ser Quilombola. O filme expõe a realidade das comunidades de São Francisco do Paraguaçu e Porteiras, localizadas nos municípios de Cachoeira e Entre Rios, respectivamente, no Recôncavo baiano. Na terça-feira, dia 6 de junho, o vídeo foi lançado na Assembléia Legislativa da Bahia para uma platéia repleta de integrantes das localidades onde o filme foi rodado. Muitos deles exibiam o nervosismo e a ansiedade pelo instante mágico de se ver na tela pela primeira vez.

Ao longo dos 27 minutos, o filme aborda os vários aspectos que configuram a afirmação identitária dos descendentes de quilombos. A produção se originou de um trabalho de conclusão do curso em jornalismo no ano de 2010, na Faculdade Social da Bahia, e o resultado ultrapassa os limites de um trabalho acadêmico. Diante da tela se sucedem depoimentos de remanescentes das comunidades, alternados com outros, de representantes da academia, como os historiadores Ubiratan Castro e João José Reis. O diálogo fílmico entre essas duas realidades é muito bem costurado pela direção segura da jovem diretora Jaqueline, que faz sua estreia como se fosse o trabalho de gente grande por trás das câmeras.

Ela revela que sua motivação para o filme nasceu do desejo de “desmitificar os estigmas do significado de ser Quilombola, que vai além dos elementos mais visíveis como ser negro, o samba de roda, o pilão e a casa de farinha”. Estes sinais, associados à referência de comunidades paradas no tempo, contribuem para reafirmar uma visão equivocada da dinâmica social e cultural, que estão presentes na realidade cotidiana.

Com muita sutileza, o documentário discute temas que configuram a identidade Quilombola. Os depoimentos, as imagens e uma edição competente, constroem reflexões sobre os laços de parentesco, a violência real e simbólica do racismo, e a complexa relação com a terra, que ultrapassa a posse do espaço físico e traz para discussão a transmissão da territorialidade como uma história de resistência étnica e cultural, numa sociedade que faz um trabalho secular de desconstrução da autoestima dos afrodescendentes.

Ao final do filme, Jaqueline Barreto consegue captar e expor na tela a força e a resistência dos Quilombolas de São Francisco do Paraguaçu e Porteiras, que reafirmam sua condição ancestral com o brado de resistência, “sou Quilombola”. O olhar firme para a câmera é como se mirassem novos tempos, uma nova escrita da história, memória e outros modos de vida, sem perder os vínculos com o passado. Após a estreia no espaço urbano, o documentário, a partir de agora, vai percorrer as comunidades remanescentes de quilombos na Bahia, para exibir o real significado e a força do que é Ser Quilombola.

Ficha Técnica:
Roteiro: Jaqueline Barreto e Mídiã Santana
Direção e Edição: Jaqueline Barreto
Produção: Deraldo Leal
Edição de imagens: Charles Del Rei e Sandro Lucena
Cinegrafistas: Edilson Lima e Paulo César

*Artigo do jornalista e doutor em cultura e sociedade (Ufba)Alberto Freire, além de um eterno encantado com as coisas belas da vida.

4 de jun. de 2011

Jesus Cristo e Hitler???





O que poderia ter em comum Jesus Cristo e Hitler? Em mundo em que quase tudo sofre intermediações - característica precípua e elevada a grande magnitude na era dos meios de massa - diria que eles podem ter centenas de coisas em comum.

Confesso que reflito e posto sobre esse assunto neste momento, porque estou morrendo de orgulho de meu querido colega e amigo Daniel Veiga: este belo registro que vos chega por este humilde blog é de sua sua autoria e recebeu menção honrosa no I Salão de Fotografia do Salvador Foto Clube.

Mas todos podem conferir esta e mais 29 fotos até o dia 26 de junho na Caixa Cultural (Rua Carlos Gomes, 57, Centro), de terça a domingo, das 9h às 18h, com entrada franca. A premiação ocorreu em maio e em seguida foi aberta para o público, a exposição que demonstra um pouco do atual panorama fotográfico da Bahia.

Confira as fotos selecionadas

Mais informações:
www.caixacultural.com.br
www.salvadorfotoclube.com.br

1 de mai. de 2011

Cinema com C




Um dos profissionais mais respeitados da cena cultural de Salvador, o jornalista Adalberto Meireles, acaba de lançar um blog sobre cinema: Ponto C de Cinema .

Fiz questão de não escrever nenhum texto aqui, porque preferi reproduzir as palavras dele - absolutamente irretocáveis - sobre ele mesmo e essa bela iniciativa. Parabéns, Adalbe!

"Jornalista e crítico de cinema, trabalhei nos jornais A TARDE e Correio e coordenei a programação das salas Walter da Silveira e Alexandre Robatto, em Salvador.

Tomo emprestado o título de um livro do diretor francês François Truffaut (1932-1984), O prazer dos olhos, como slogan desta jornada que agora proponho. Quero fruir. Provocar, perguntar e responder: por que um filme, um cartaz, uma foto, uma sequência, uma simples imagem de cinema inquieta e emociona tanto.

Nada melhor do que ter como inspiração um homem como Truffaut, um dos mais renomados cineastas franceses do pós-guerra, um teórico do cinema, do filme, da arte do filme. A arte de ver, colher e escolher as cenas. Ao prazer, então."


Texto aspeado (com formatação adaptada): Adalberto Meirelles
Imagem: Ponto C de Cinema

21 de abr. de 2011

Lei de Direitos Autorais recebe contribuições públicas


Trabalhadores (e amantes) da cultura, uni-vos! Confira no texto abaixo, postado no site do Ministério da Cultura, como e quando você pode contribuir na última fase de revisão da LDA.



"Entre os dias 25 de abril e 30 de maio, o anteprojeto (APL) que modifica a Lei de Direitos Autorais receberá contribuições da sociedade. O período de sugestões – cujo objetivo é aperfeiçoar o texto – inicia a última etapa de elaboração da proposta final a ser apresentada pelo governo ao Congresso Nacional. Conforme anunciado no dia 22 de março, o Ministério da Cultura divulga o cronograma com as próximas ações para que a sociedade possa acompanhar seu andamento.

Cronograma

- 25 de abril a 30 de maio: recebimento de contribuições da sociedade com propostas de alteração de artigos do anteprojeto de lei e suas justificativas.
- 4 de maio: apresentação do APL ao Conselho Nacional de Políticas Culturais (CNPC), explicitando os eixos de revisão para o aperfeiçoamento de seu texto;
- Durante o mês de maio: participação do MinC/DDI em audiências públicas na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal e do Senado Federal;



- Última semana de maio: realização pelo MinC/DDI de evento público para apresentação e apreciação de contribuições da sociedade para a revisão do APL de reforma da Lei Autoral Brasileira;
- Até 14 de julho: elaboração da redação final do anteprojeto pelo MinC, submissão do APL revisado ao Grupo Interministerial de Propriedade Intelectual (GIPI), realização de adequações ao texto do APL; e
- 15 de julho: envio do APL à Casa Civil pela ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Sugestões

A Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC detectou sete pontos que merecem aperfeiçoamento e consenso (veja abaixo). As manifestações a respeito deles e de outros deverão ser encaminhadas em formulário específico para o e-mail revisao.leiautoral@cultura.gov.br ou correspondência postal no endereço Diretoria de Direitos Intelectuais – DDI/MinC – SCS Quadra 09, Lote C, Ed. Parque Cidade Corporate – Torre B, 10º andar. CEP: 70.308-200 Brasília DF.



Principais pontos da etapa de aperfeiçoamento

1. Limitações aos direitos do Autor (Arts. 46,47, 48 e 52-D);
2. Usos das obras na internet (Arts. 5º, 29 e 105-A e 46, II);
3. Reprografia das obras literárias (Arts. 88-A, 88-B, 99-B);
4. Da Obra sob encomenda e decorrente de vínculo (Arts. 52-C);
5. Gestão coletiva de Direitos Autorais (Art. 68 §§ 5º, 6º, 7º e 8; arts.86, 86-A,98, 98-B, 98-C,98-D, 99 §6º, 99-A, 99-B e 100);
6. Supervisão estatal das entidades de cobrança e distribuição de diretos (Arts. 98§2º, 98-A, 100-A, 100-B, 110-A, 110-C);
7. Unificação de registro de obras (Arts. 19, 20, 30, 113-A).



Para facilitar a elaboração das contribuições, o MinC também está tornando público um quadro comparativo da atual lei, do anteprojeto submetido à consulta pública no ano passado e da versão pós consulta pública, enviado à Casa Civil em dezembro de 2010."


Texto: Ascom/MinC (grifos deste blog)
Imagens: www.sxc.hu

10 de abr. de 2011

Ópera nacionalista, com muito orgulho!




A maior ópera brasileira ganha sua primeira montagem baiana, numa iniciativa da Associação Lírica da Bahia (Alba). A obra clássica do maestro Carlos Gomes vai ao palco com 170 artistas, entre solistas convidados, integrantes da Alba, músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia, atores e bailarinos da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado. A direção é do mineiro Francisco Mayrink e a regência do maestro baiano Pino Onnis.

A ópera, composta em quatro atos (Os Aventureiros, Peri, Os Aimorés e A Catástrofe), estreou no Teatro Scala de Milão, na Itália, em 1870, com libreto em italiano de Antonio Scalvini, e conquistou imediatamente uma grandiosa repercussão.



"O Guarani" se baseia no primeiro romance indianista de José de Alencar, escrito originalmente em 1857 e que transcorre no Brasil de 1560, no litoral do Rio de Janeiro. Para viver o casal protagonista, Ceci e Peri, foram convidados a soprano Vilma Bittencourt (DF) e tenor Rinaldo Leone (SP), ambos com carreira internacional.

Dias 28, 30 de abril e 2 de maio
Horário: 20 horas
Ingresso (inteira): R$ 30"

Texto adaptado do site do TCA

Imagens: Peregrina cultural
O melhor cantinho cultural

3 de abr. de 2011

Bahia no mundo das letras



Apesar da maioria das pessoas achar que Salvador é totalmente musical, é sempre bom lembrar que música (música de verdade, hein, gente!) é poesia também. Além do mais, penso que poesia - embora tenha definições técnicas específicas - está em toda forma de literatura, na fala, nos atos, na vida...



Por isso, temos que valorizar aqueles que se dedicam a manter viva e (re)construir a cada dia essa belíssima e insubstituível forma de arte que é a literatura. Vamos prestigiar os escritores da soterópolis em primeiro lugar: comprando e lendo seus livros; valorizando suas iniciativas, às vezes, tímidas em termos de visibilidade e volume, mas repletas de qualidade.

Esse é o caso do Encontro com o escritor, evento que ocorre uma ou duas vezes por mês, ao longo do ano, promovido pela Fundação Pedro Calmon, confira a agenda no site www.fpc.ba.gov.br ou pelos telefones (71) 3116-6838/6837 e participe:

17 de abril - Jaime Sodré
20 de abril - João Carlos Teixeira Gomes
Maio - Cyro Mattos e Lilia Gramacho
Junho - Adelice Souza e José Antonio Pereira dos Santos
Julho - Nadia São Paulo
Agosto - Mônica Menezes
Setembro - Goulart Gomes e Sérgio Mattos
Outubro - Iranai Barretto
Novembro - Eny Kleyde Vasconcelos Farias




Imagens: www.fpc.ba.gov.br

26 de mar. de 2011

Vamos pensar em sustentabilidade?


Minha amiga Djenane enviou-me, há algum tempo, essa programação chamada de Carrossel Itinerante, mas confesso que, apesar de achar muito interessante, restringi-me a divulgar por e-mail para alguns amigos e conhecidos.

Duas apresentações já acorreram, mas ainda há tempo para divulgar mais duas. O Carrossel Itinerante é um ciclo de palestras que acontece sempre às primeiras terças-feiras de cada mês, às 19h30, no auditório do Ciranda Café Cultura & Artes, Rua Fonte do Boi, nº131, 1º andar, Rio Vermelho. O evento é gratuito e livre para todas as idades. O tema é livre e o facilitador define a metodologia de apresentação, com duração aproximada de 1 hora e 30 minutos.





Tema: A contribuição da Sistematização de Experiências para o desenvolvimento do campo Agroecológico.
Data: 05 de abril de 2011

Durante mais de uma década o IPB desenvolveu o projeto Policultura no Semiárido em três municípios baianos. Ganhador de vários prêmios, certificado como tecnologia social e apontado pela ONU como uma prática vitoriosa no combate à fome e à pobreza no Brasil, o projeto gerou inúmeros processos de aprendizagem.



Mediante esforço de reconstrução da experiência por meio da sistematização e da análise crítica, foi possível identificar significativas lições, que serão compartilhadas durante o carrossel.

Palestrante: Cinara Del'arco Sanches, Engenheira Agrônoma, Coordenadora do Projeto Policultura no Semiárido


Tema: Conhecendo as Águas Subterrâneas
Data: 03 de maio de 2011

Águas subterrâneas - todos usam, mas não a conhecem
A maior parte da água subterrânea, dentro de algumas centenas de metros abaixo da superfície, está em movimento. Diferente do fluxo dos rios que são medidos em km/h, a água subterrânea se move tão lentamente que as velocidades são expressas em centímetros por dia ou metros por ano.



A razão para esse contraste é facilmente explicado. Enquanto que as correntes fluem através de canais abertos, a água subterrânea se move através de pequenas passagens, freqüentemente ao longo de caminhos tortuosos. Por isso, o fluxo da água subterrânea depende, em grande parte, da natureza da rocha ou do sedimento, através do qual ela se move, ela flui para a superfície de rios ou lagos, ou para os oceanos.

Palestrante: Zoltan Romero - Geólogo, Especialista em Recursos Hídricos e Mestrando em Qualidade de Águas Subterrâneas


Imagens: www.sxc.hu

19 de mar. de 2011

Brutalidade e ternura no Velho Oeste*

Os irmãos Cohen levaram muito a sério a responsabilidade de refazer Bravura Indômita (True Grit - Irmãos Cohen), o clássico faroeste que consagrou o ícone John Wayne ao trazê-lo numa espécie de autocaricatura, na qual quebrou seu estereótipo de durão e somou grande dose de humanidade.



O filme trata da garota Mattie Ross, que contrata o ex-xerife (ou no caso atual um marshall) mais durão da praça para perseguir o assassino do seu pai. O marshall caolho, Rooster Cogburn, é personificado por um Jeff Bridges bastante impressionante. Junta-se a eles um agente californiano interpretado por um fantasticamente irreconhecível Matt Damon.

Pouco a pouco, o trio vai entrando em território indígena, ou seja, rumo ao perigoso desconhecido, e seus personagens vão deixando a caricatura e começam a se tornar mais humanos, rumo ao perigoso desconhecido de cada alma, com vidas marcadas pelo amargor e decepção. Assim também, as situações, engraçadas do início, vão se tornando cada vez mais assustadoras.



Após vários e cômicos entreveros, a dupla compreende finalmente que a caçada está fria e, para o amargor e decepção da garota, decidem desistir. Mas, eis que, de repente, tudo muda. Ao longo do filme, vamos percebendo que o nojento, violento e beberrão Cogburn é na verdade um homem nobre e terno. A presença progressiva da neve à medida que se encerra o outono e se avança a terras altas, além das grandes paisagens inóspitas, deixa claro o destino cinzento e solitário que aguardará a personagem central, exposta a tamanha violência tão cedo na vida.

Uma crítica apontou que a versão dos Cohen, mais brutal, é muito mais fiel ao livro (True Grit – Charles Portis) que o filme original. A mistura do cômico com o violento é perfeita para os Cohen. Temos ainda a tradicional galeria de tipos histriônicos, trechos de aspecto onírico e o sempre presente tema da infantilidade norte-americana, que, para a dupla de diretores, está relacionada à teimosia e estupidez (stubborness, o nosso “partir para a ignorância”).



Curiosamente, a personagem central, a determinada e ao mesmo tempo pedante garota Mattie Ross, de 14 anos (que não se cansa de oferecer bons advogados a todos, numa sátira à sociedade americana moderna), interpretada por Haille Stainfield, justamente se caracteriza pela precocidade, mas numa inversão apenas aparente do tema. Ela, antes de todos, é a maior personificação desse comportamento teimoso e estúpido.

Assim, a crítica vêm aclamando os irmãos Cohen por terem abandonado, madura e respeitosamente, seu cinismo nesta película, e eu discordo disso profundamente. Ao glorificar esses três personagens teimosos e estúpidos, o grau de cinismo dos diretores atinge uma profundidade inédita, porque ele não está infantilmente explícito. Quando aplaudimos e saímos do cinema satisfeitos com o brio heróico dos personagens, somos exatamente a piada dos Cohen. Ao aprovar o comportamento, assumimos nossa posição.



O faroeste norte-americano já passou por diversas fases, sempre tentando adequar um tema clássico às mudanças da sociedade. Dos filmes de cavalaria do pós-guerra, onde o inimigo era o índio, passando pelo faroeste sentimental, depois o psicológico, sendo provavelmente a mais recente tentativa Brokeback Mountain, o cowboy gay.

True Grit vem da fase mais sentimental e humana, e gira em torno da figura do lone ranger, o cowboy solitário e sem patrão, que vaga pelo imenso oeste onde a ordem não é institucionalizada. Outro clássico desse gênero, mas bem mais “bangue bangue“ é Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven, John Sturgess, 1960, com Steve McQueen, Yul Brynner, James Coburn e Charles Bronson!...), a história dos sete pistoleiros que se reúnem para defender agricultores familiares dos ataques dos latifundiários.


Curiosamente, tanto a figura do lone ranger como o filme Sete Homens têm uma inspiração direta na mitologia do cinema japonês, se Quentin Tarantino acha que esse diálogo é coisa nova. O lone ranger está ligado à figura do rônin, o samurai que teve sua casa feudal destruída e é obrigado a perambular sozinho pelo país, sem patrão. E Sete Homens é uma adaptação da obra Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai, de Akira Kurosawa, 1954, com Toshiro Mifune, o “John Wayne japonês”).


Texto de Nelson Doy Jr., publicitário, mora no Rio de Janeiro e é o crítico de cinema "oficial" deste humilde blog.

Imagens: www.imdb.com

12 de mar. de 2011

Pílula B: Depois da Folia, o retorno da Poesia!*




Recebi do escritor e querido companheiro no trabalho, Goulart Gomes, o seguinte convite e já estou agendada para esse compromisso. Sugiro que se agendem também.

"No Dia Nacional da Poesia, 14/03/2011, a partir das 18 horas, estaremos lançando duas antologias poéticas: Poetrix 4 e Pórtico XV na Livraria Cultura do Salvador Shopping.

Participam os colegas Vladimir Queiroz, Vicente Cariri, José Walber e Carlos Valadares.

Contamos com a sua presença!"

Esclarecimentos nas palavras do próprio escritor:
O POETRIX é um poema composto de:
- título
- estrofe de 3 versos (terceto)
- máximo de 30 sílabas poéticas

O GRUPO CULTURAL PÓRTICO é uma das mais bem sucedidas experiências de auto-gestão e produção literária coletiva realizada no Brasil. Ele foi oficialmente criado em 10 de maio de 1995.



* Do texto de Goulart Gomes (adaptado)

3 de mar. de 2011

Devolvam o Carnaval! *



Os não carnavalescos, que ficam atrás das suas mesas, enterrados nas suas poltronas e ventilando os seus fundilhos no ar condicionado e ditando normas para a festa, transformaram a grande festa de carnaval em meros desfiles de “estrelinhas televisivas".

Quando na quinta feira era anunciado pelo desfile do Rei Momo “já é carnaval”, a grande festa, tinha o seu grande diferencial na Bahia por ser um desfile do povo, pelo povo e para o povo, sem padrões pré-estabelecidos, onde cada folião era único e trazia na sua expressão ou na sua fantasia a sua novidade e/ou mensagem.

Cada bairro tinha o seu carnaval de forma mais homogênea, a festa, por ser mais pulverizada se tornava menos desconfortável, com receita financeira mais equalizada e por conseguinte bem menos violenta em função dessa homogeneidade. Pra você participar do Carnaval, bastava sair de casa independente de onde morasse.



A festa acontecia onde ela acontecia, não necessariamente de forma ordenada, mas, com certeza mais festiva e mais equilibrada. Os palanques ou palcos montados para receber os músicos, animadores do evento, distribuíam animação por toda a cidade transformando Salvador numa só festa. Certamente que os repórteres e emissoras de rádio e televisão corriam atrás das notícias procurando divulgar o que fosse mais interessante porque o artista na realidade, (o folião), estava fora dos palcos fazendo a festa acontecer.

Com a interferência nociva das emissoras e dos “poderes” públicos, visando “burramente” um interesse imediatista puramente financeiro manipulam o carnaval (como diz Armandinho: "manipulam e não pulam"), transformando a festa nesse desfile “sem graça” de "estrelinhas"... que desafinam o tempo inteiro ou cantam músicas que mais parecem um monte de palavras bobas soltas em frases infantis acompanhadas por melodias compostas por quem certamente só toca violão lendo revistinhas de músicas que vende em bancas de revistas.... BAH!!!!



Sem saudosismo, mas sentindo falta de brincar o carnaval e não ter que ir a ridículos e desanimados e caros camarotes (programa prá turistas) ou idióticos e patéticos “adadás” pra ficar caminhando dentro de cordas de blocos olhando pra cima do trio, à espera da TV filmar pra que se possa demonstrar animação, verdadeiras pipocas dentro de uma panela... Esses sim são as "PIPOCAS"...!!

Nada de circuitos ou curtos-circuitos de carnaval, a festa é um todo em toda a cidade!!!! Absurdo!! Até as (manipuladas) estatísticas de acidentes e incidentes durante a festa só computam o que acontece dentro do "circuito"... !!!

Adoro o Carnaval verdadeiro...!!!, do Campo Grande a Praça da Sé, o Carnaval do Pelourinho, os carnavais de bairros ou de onde naturalmente a emoção nos indica, os lugares aonde os trios elétricos atuais e a televisão não têm ido!!. Mais cômodo prá eles que montam as suas tendas e dizem que as notícias do Carnaval se restrinjem a aquilo!!!



Quem é a Televisão ou quem quer que seja que pode definir o percurso “oficial” do carnaval da Bahia?!!.. O Carnaval é uma festa da cidade... !!!
Foliões!!!..Não deixem que quem quer que seja imponha mais essas mudanças. Não deixem que tomem o carnaval do povo. Se vacilar logo-logo estarão cobrando taxas pra você sair de casa nos dias de Carnaval...!!! e se pular fora do local de interesse deles você será até punido...!!

Indignadamente,

* Marcus Aragão Vergne(líder da banda Nil Beatles Brazil)


Imagens: www.nublog.com.br
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23 de fev. de 2011

Cinematografando: Oscar entre reis e cisnes?*

Para você que está lendo essa blogagem, um aviso: não deu para publicar antes esses textos. Como o Oscar é amanhã, decidi postar as duas críticas: O Discurso do rei e Cisne negro. Para quem curte assistir o Oscar (eu estou fora há alguns anos), ainda dá tempo ver ambos na telona até a premiação.

O Discurso do Rei (Tom Hooper)

All hell’s breaking loose na Casa Real britânica. O respeitado rei George V está para morrer, seu herdeiro direto é um irresponsável playboy prestes a desposar uma norte-americana duas vezes divorciada, o comunismo russo floresce prometendo derrubar monarquias, a grande esperança europeia contra seu avanço é Hitler (!!!), e a última salvação britânica que deverá ser o símbolo da unidade nacional durante a Segunda Guerra Mundial é um hesitante príncipe gago... Com a figura real modernamente reduzida à função de meros atores e radialistas, com seus discursos inspiradores dirigidos à nação de aquém e além mares, a inabilidade da fala praticamente inutilizaria um pretendente ao trono.

E mesmo assim, o filme consegue criar uma agradabilíssima bolha de amenidade neste cenário desesperador.



O Discurso do Rei vai buscar a mais curiosa relação do futuro rei George VI com seu terapeuta de fala, Lionel Rogue. Seu roteiro ignora solene e objetivamente toda a grandiosidade dessa época histórica, que apenas escutamos passar como conversas de corredores e salas de espera. Quando o príncipe entra no consultório de Rogue, é como se uma passagem secreta se abrisse para fugir momentaneamente do seu hermético universo de responsabilidades, protocolos e angústias reais. Com seus métodos pouco ortodoxos para a época, e boa dose de personalidade, Rogue vai gerando e ganhando tanto a desconfiança como a confiança do príncipe, até tornar-se seu chap, seu “chapa”, amigo, camarada (ops, isso não!) e confidente, algo impensável até hoje.

Uma produção de orçamento absurdamente baixo, bem típica dos irmãos Weinstein, torna uma diversão extra observar como o desenhista de produção se esmera para driblar a falta de verba. Os planos são fechados, com poucos objetos de época muito bem valorizados em cada plano, locações semi prontas e a boa sacada para a cena que seria a mais cara, o momento da coroação, na Westminster Abbey. Assim, toda sua atenção se concentra em bons diálogos, entregues por bons atores.




Por isso mesmo, saem daqui dois fortes indicados ao Oscar de coadjuvante. Colin Firth, ótimo como o príncipe e rei, é apoiado pelos grandes Geoffrey Rush, o terapeuta, e pelo charme de Helena Bonham Carter, sua esposa Elizabeth. Com um andamento lento, o roteiro dá tempo para que o trio de ouro construa personagens muito peculiares e envolventes, estabelecendo uma contínua tensão cênica mesmo nos mais longos hiatos silenciosos.

O filme é benevolente ao rei, tanto talvez quanto seu povo o tenha sido na época, em apoio a um monarca correto e que claramente lutava contra a gagueira para enlevar os ingleses durante essa época de nuvens negras. Assim, faz um bem danado até para a família real atual ao humanizar as frias e distantes figuras reais. Uma excelente peça de Royal Marketing.


Cisne Negro (Darren Aronofsky)

Cisne Negro é um razoavelmente ajambrado filme de terror que tem surtos esquizofrênicos, cada vez menos frequentes, em que se acredita drama psicológico. Recoberto com o glacê de uma boa direção de arte, iludiu parte da crítica que o aclamou conceitual e filme de arte. Menos.

Vale muito a vista por vários motivos: consegue ser arrepiante do pelo aos ossos, é intenso, tem um roteiro bem construído e é um alívio assistir Natalie Portman e ver que ela agora, finalmente, parece que vai alçar seu voo.



Como se poderia esperar, a protagonista Nina, integrante perfeccionista de um importante corpo de balé, recria a tragédia do Lago dos Cisnes. Mantida engaiolada como um Cisne Branco por sua Rothbart-Mãe, tem a grande chance de ser erguida rainha pelo diretor artístico Thomas - Siegfried. Mas a indecisão deste pela sensualidade negrocísnica de Lily (do hebraico Lilith, pesquisem na internet) acaba a desesperando. Incapaz de equilibrar os extremos da Castidade e da Lascívia dentro de si (uma metáfora arquetípica possível da dualidade Cisne Branco e Cisne Negro), Nina termina como Freud poderia explicar, completamente histérica.

Cisne Negro quase atinge sua proposta enunciada logo no começo de ser uma versão visceral, mas erra a mão pela falta de auto-confiança, exatamente o problema que o diretor artístico atribui à protagonista Nina. Na tentativa desesperada de garantir a visceralização do espectador, exagera na dose do terror, com edição rebuscada, camera nervosa, sustos pré-fabricados, cenas de horror escatológico, sanguinhos baratos e over-acting de Natalie Portman fazendo cara de choro, e não precisava disso tudo.

A sensação que dá é que toda a equipe se imbuiu da meta e começou a arrancar olhos e intestinos, gritando ”Arghh! Sou visceral! Sou visceral!”. Outra falha patente é a falta de um posicionamento bem definido. Quer atingir tanto a garotas adolescentes (com a temática escolar da santinha pura contra a galinha da classe) quanto adultos, tanto o sexo feminino quanto o masculino. Assim, vira um pastiche disforme que o enfraquece muito como obra, dilui a poesia da ideia.



O interessante de sua trama é criar diversas camadas onde realidade se confunde com a imaginação e a ficção. E o bem sacado dessa ideia é estendê-la ao próprio casting (seleção de atrizes). Como apontado em diversas críticas, é absolutamente maquiavélico (e arrepiante) ver a ascendente Natalie contracenar com a decadente Winona Rider, ela própria uma Natalie Portman em seu tempo, o modelo juvenil-pueril feito de caras e bocas, que jamais avançou além disso.

Já Portman, elogiada por George Lucas por ser muito técnica, mesmo uma filha superprotegida, jamais pareceu viver de fato seus personagens, faltando-lhe justamente sentir e se soltar para ganhar expressão corporal. O filme parece assim, um psicodrama construído para amadurecê-la. Ainda é uma atriz de caras e bocas, mas elas estão mais densas do que nunca e conseguem assim dar credibilidade a uma história simplória e de final risível.

A direção de arte é bem urdida e, esta sim, muito conceitual. A luz é crua e a câmera nervosa persegue a protagonista e a mantém encurralada por um super close claustrofóbico. O uso obrigatório do branco e do negro em cena é consistentemente aplicado, mas não chega a ser original. Vem direto do Morte em Veneza, de Visconti, onde os dois tons disputam centímetro por centímetro o espaço cenográfico em cada plano e representam, um e outro, ora Vida, ora Morte. Contrapõe-se a começar a alvura judaico-novaiorquina de Nina à morenice matreiro-californiana de Lily. Há ainda a insistência perturbadora dos espelhos, onipresentes, indício da dualidade da alma, multifacetados, fragmentados, deformantes, multiplicantes ou estilhaçados, “refletindo” o momento interior da bailarina.

O fato é que nos tempos atuais, repleto de filmes com roteiros industrializados, de progressão mecânica e grande ênfase em pirotecnias, ficamos anormalmente encantados com histórias de estrutura clássica e direção de arte bem pensada.



* textos de Nelson Doy Jr., publicitário, residente no Rio de Janeiro e colunista oficial de cinema deste blog.